Licença de consórcio do metrô foi obtida dias antes do leilão bilionário


Investigação revela que membro do consórcio recebeu autorização apenas 11 dias antes do leilão de R$ 4,9 bilhões em São Paulo.

Licença de consórcio do metrô foi obtida dias antes do leilão bilionário
Imagem do metrô de São Paulo. Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Membro do consórcio vencedor do leilão do metrô recebeu licença apenas 11 dias antes do evento, levantando suspeitas.

Licença do consórcio foi obtida dias antes do leilão do metrô

A recente vitória do consórcio Nove de Julho, que apresentou a melhor proposta de R$ 4,9 bilhões para as obras do metrô de São Paulo, levanta questões sobre a legalidade do processo licitatório. A integrante chinesa Highland Build conseguiu a licença para operar no Brasil apenas 11 dias antes do início do leilão, que ocorreu em 22 de setembro. Essa situação gerou preocupações sobre a transparência do processo e a regularidade da participação da empresa no certame.

Highland Build e a habilitação do consórcio

A Highland Build, sócia minoritária do consórcio, foi fundamental para a habilitação do grupo, pois detinha um atestado essencial que possibilitou que o Nove de Julho participasse do leilão. Sem esse documento, o consórcio não teria conseguido levar o primeiro lote da linha 19-celeste, que inclui a construção de túneis e cinco estações em Guarulhos. O edital da concorrência foi estruturado para permitir a participação de empresas com comprovação técnica e expertise, incluindo aquelas que ainda não atuam no Brasil.

Processo de licitação e defesa do governo

O governo de São Paulo, liderado por Tarcísio de Freitas, defendeu a legalidade do processo afirmando que a análise documental das empresas participantes foi rigorosa e seguiu os critérios estabelecidos pela Lei 13.303/2016. Em nota, o consórcio declarou que todas as etapas do processo licitatório foram cumpridas de acordo com a legislação e o edital.

Cronologia da participação da Highland no Brasil

Para entender melhor a situação, é importante observar a cronologia dos eventos. A matriz da Highland Build decidiu abrir uma filial no Brasil em 1º de agosto, e a empresa recebeu autorização do governo brasileiro em 11 de setembro. O registro empresarial, no entanto, só foi concedido pela Junta Comercial de São Paulo no dia 23 de setembro, um dia após o início do leilão.

Questões sobre a rapidez do processo

Advogados que acompanham licitações no Brasil afirmam que, embora o prazo curto não seja inédito, ele foge do ciclo usual para a instalação de empresas estrangeiras. A inclusão da Highland no consórcio foi vista como uma estratégia para garantir a apresentação de um dos principais atestados técnicos exigidos pelo edital: o atestado de execução TBM (Tunnel Boring Machine), necessário para a execução de obras de perfuração subterrânea.

Conclusão

As circunstâncias em torno da obtenção da licença pela Highland Build e sua participação no consórcio Nove de Julho podem gerar discussões sobre a transparência e a regularidade dos processos licitatórios no Brasil. A situação continua a ser monitorada pelas autoridades e especialistas, que aguardam desdobramentos adicionais sobre o caso.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Zanone Fraissat/Folhapress


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