Legião de mortos recebe renda do INSS


Análise sobre pagamentos indevidos a beneficiários falecidos

Legião de mortos recebe renda do INSS
Foto: Rômulo Saraiva

CPI do INSS revela pagamentos de R$ 3,7 bilhões a aposentados falecidos entre 2016 e 2024.

Em 2023, a CPI do INSS revelou um escândalo alarmante: pagamentos indevidos a aposentados falecidos, totalizando R$ 3,7 bilhões entre 2016 e 2024. Essa situação expõe a fragilidade do sistema previdenciário, onde a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou cobranças indevidas de associações previdenciárias e sindicatos, que não hesitaram em faturar em cima de mortos.

Fraudes em associações previdenciárias

Durante as audiências da CPI, depoimentos de representantes de associações, como a Conafer, revelaram práticas fraudulentas. Um exemplo chocante foi mencionado: Maria Rodrigues, falecida há cinco anos, ainda constava como associada. A Conafer, entre 2022 e 2025, movimentou R$ 796,8 milhões em transações atípicas. Outro caso alarmante foi o da CBPA, que recebeu R$ 221 milhões e foi acusada de cobrar mensalidades de 40 mil beneficiários falecidos.

Falhas no registro de óbitos

O Tribunal de Contas da União (TCU) destacou que, mesmo com acesso a dados de óbitos, o INSS falha em registrar mortes, permitindo que benefícios continuem sendo pagos. Somente em fevereiro de 2025, R$ 21,2 milhões foram gastos com 11.026 titulares que já haviam falecido, demonstrando uma falha crítica na gestão de dados. Essa situação é agravada por registros incompletos e inconsistências nos dados de óbitos, dificultando o cancelamento de benefícios.

Necessidade de melhorias na fiscalização

Apesar dos mecanismos existentes, como a prova de vida, muitos benefícios ainda são pagos indevidamente. A situação exige uma revisão urgente dos procedimentos de fiscalização do INSS, para que aposentadorias de falecidos não continuem a ser pagas, especialmente em um cenário de dificuldades financeiras na arrecadação previdenciária. O aprimoramento dos mecanismos de verificação é essencial para evitar que a renda destinada aos vivos caia em mãos erradas.

Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br


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