Kushim: O Contador Mesopotâmico Que Revela a Origem Inesperada do Dinheiro


A história do dinheiro, frequentemente associada a grandes impérios e conquistas, pode ter raízes mais humildes do que imaginamos. Kushim, um nome gravado em tabuletas da antiga Mesopotâmia, é considerado o primeiro indivíduo conhecido na história a ter seu nome registrado. Sua história, ligada à contabilidade de um armazém de cerveja, sugere que a necessidade de rastrear e negociar essa bebida milenar pode ter sido um dos motores da invenção do dinheiro.

Em um armazém há mais de cinco mil anos, Kushim registrou um empréstimo de cevada destinado à produção de cerveja. O acordo previa um prazo de dois anos e meio para a quitação, com uma taxa de juros anual de 33,33%, considerada normal para a época. Este registro, aparentemente banal, lança luz sobre um período crucial na história da civilização, quando a complexidade das transações comerciais demandava novas formas de controle.

No entanto, a aparente simplicidade do empréstimo escondia um fardo considerável. “Dois anos e meio era tempo suficiente para produzir muita cerveja, vendê-la, gerar receita, saldar o empréstimo e começar tudo de novo”, mas o risco de insucesso era real, como observou o estudo do caso. A inadimplência, naqueles tempos, podia levar à escravidão, um preço alto a ser pago pela incapacidade de cumprir as obrigações financeiras.

A história de Kushim revela que o dinheiro, desde suas origens, já carregava consigo a noção de valor, a ponto de ter seu próprio “preço” – a taxa de juros. A necessidade de projetar o futuro, calcular riscos e lucros, e estabelecer prazos para pagamento, impulsionou o desenvolvimento de um sistema complexo e completo, em comparação com a lenta evolução das leis.

Enquanto as leis se desenvolviam gradualmente, o dinheiro surgiu como um “bólido”, nas palavras dos estudiosos, impulsionando o comércio e a economia. A história de Kushim, o contador de cerveja da Mesopotâmia, nos lembra que as grandes invenções muitas vezes nascem de necessidades práticas e cotidianas, moldando o curso da civilização de maneiras inesperadas.

Fonte: http://www.campograndenews.com.br


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