Decisão do TRT-2 é contestada pelo aplicativo, que promete recorrer à instância superior.

O TRT-2 rejeitou recurso do iFood que contestava o vínculo empregatício de entregadores com o aplicativo.
Justiça do Trabalho reafirma vínculo empregatício no caso do iFood
A decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), publicada na última sexta-feira (7), foi clara ao manter o reconhecimento do vínculo empregatício entre entregadores e o aplicativo iFood. Essa deliberação surgiu após o aplicativo ter sido condenado a pagar uma multa de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, em uma ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
Detalhes da decisão e contestação do iFood
Em sua análise, o relator do caso, Ricardo Nino Ballarini, destacou que a contestação apresentada pelo iFood não trazia argumentos que pudessem alterar a essência da decisão anterior. O relator afirmou que o recurso apresentado pelo aplicativo se mostrava como um “mero inconformismo” com a decisão da turma, ao tentar reabrir questões já apreciadas.
O iFood, por sua vez, já anunciou que irá recorrer da decisão, alegando que o entendimento do TRT-2 contrasta com diversas decisões recentes que reconhecem a autonomia dos trabalhadores em plataformas digitais. A plataforma argumenta que a decisão ignora o debate legislativo em andamento no Congresso sobre a regulamentação do trabalho intermediado por aplicativos.
Implicações para os entregadores
Para o iFood, a caracterização de vínculo empregatício não se aplica aos mais de 450 mil entregadores cadastrados, os quais são considerados profissionais independentes. O aplicativo defende que esses trabalhadores possuem a liberdade de se conectar à plataforma para gerar renda, sem a imposição de exclusividade ou jornada de trabalho, características que, segundo a empresa, não condizem com a relação de emprego.
O que pode acontecer a seguir
Com a decisão do TRT-2, o cenário se complica para o iFood, que se vê diante de um desafio legal considerável. A expectativa é que essa questão chegue ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde a discussão sobre a autonomia dos trabalhadores de plataformas digitais está em pauta. A resolução deste caso pode influenciar significativamente o futuro do trabalho em plataformas no Brasil, especialmente em um momento em que as legislações estão sendo debatidas.
Conclusão
A rejeição do recurso do iFood pelo TRT-2 é um marco importante na discussão sobre a relação entre plataformas digitais e seus trabalhadores. A postura do iFood, ao contestar essa decisão, demonstra a complexidade e as nuances que envolvem o trabalho em aplicativos no Brasil. A continuação desse debate será crucial para definir as diretrizes que governarão o futuro do trabalho na economia digital.
Fonte: www1.folha.uol.com.br








