Juiz determinou internação de jovem um mês antes de ataque da leoa


Gerson de Melo Machado, de 19 anos, foi liberado pela juíza antes de tragédia em zoológico

Juiz determinou internação de jovem um mês antes de ataque da leoa
Gerson de Melo Machado e conselheira Verônica Oliveira. Foto: A conselheira tutelar Verônica Oliveira e Gerson

Gerson de Melo Machado foi liberado pela Justiça um mês antes de invadir recinto de leoa, resultando em sua morte.

Contexto da internação de Gerson de Melo Machado

Gerson de Melo Machado, jovem de 19 anos, tinha uma ordem de internação judicial expedida em 30 de outubro, um mês antes de sua trágica morte após invadir a jaula da leoa Leona, no zoológico de João Pessoa, no último domingo (30). O juiz responsável pela ordem, Rodrigo Marques Silva Lima, da 6ª Vara Criminal da Paraíba, havia determinado que Gerson fosse internado em um “Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico ou estabelecimento adequado” devido ao seu estado de saúde mental, incluindo esquizofrenia.

Liberação pela Justiça

No entanto, apesar da ordem judicial, a juíza Michelini de Oliveira Dantas Jatobá, da 1ª Vara Regional de Garantias, liberou Gerson no dia seguinte à sua prisão, sem determinar a internação. Ela alegou que a internação não era necessária e que Gerson poderia ser encaminhado para tratamento psiquiátrico em um Caps (Centro de Atenção Psicossocial). Esta decisão foi controversa, pois contradizia a avaliação do juiz Rodrigo, que indicava a gravidade do quadro de Gerson e a necessidade de um tratamento intensivo e supervisionado.

Histórico psiquiátrico de Gerson

Gerson apresentava um histórico complicado, com diagnósticos de esquizofrenia desde a infância e internações anteriores. A Defensoria Pública do Estado informou que o hospital indicado pelo juiz não recebia custodiados desde 2024, um fator que complicou ainda mais a situação. Gerson havia sido preso anteriormente por arremessar um paralelepípedo em uma viatura policial, o que resultou em sua detenção no dia 24 de novembro, apenas seis dias antes de sua morte.

O dia da tragédia

No dia do incidente, Gerson invadiu a jaula da leoa, onde foi atacado. A Defensoria Pública, ao analisar os eventos, afirmou que a decisão de liberá-lo foi equivocada, visto que a legislação atual prioriza o cuidado em liberdade, mas ressalta que a internação é uma medida excepcional em casos de crise aguda. A juíza Jatobá, durante a audiência, parecia ignorar os sinais claros de instabilidade psíquica que Gerson apresentava, conforme relatado por profissionais de saúde mental.

Reflexões sobre o sistema de Justiça

O caso levanta questões críticas sobre a responsabilidade do sistema judicial em garantir a proteção de pessoas com transtornos mentais. A falta de um acompanhamento adequado e a liberação de Gerson sem internação resultaram em uma tragédia que poderia ter sido evitada. A Defensoria Pública e outros profissionais da saúde mental destacam a importância de uma abordagem mais rigorosa e humana no tratamento de indivíduos que enfrentam problemas de saúde mental, enfatizando a necessidade de respeitar seus direitos, mas também de garantir a segurança da sociedade.

Conclusão

A morte de Gerson de Melo Machado é um trágico exemplo das falhas no sistema judicial e nas políticas de saúde mental no Brasil. A combinação de um histórico psiquiátrico complicado, a falta de estrutura para internação e a decisão da Justiça culminaram em um evento devastador que deixou uma comunidade em luto e muitas perguntas sem resposta.

Fonte: noticias.uol.com.br

Fonte: A conselheira tutelar Verônica Oliveira e Gerson


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