Ex-presidente da Câmara alerta para prioridades políticas do partido em ano eleitoral

João Paulo Cunha considera um erro o PT realizar congresso em 2026 e defende foco nas eleições.
João Paulo Cunha, ex-presidente da Câmara dos Deputados e membro do Partido dos Trabalhadores, considera um equívoco a decisão da direção do PT de realizar um congresso em abril de 2026. Segundo ele, a prioridade do partido nesse ano eleitoral deve ser a organização das eleições, e não a discussão de temas internos.
Cunha argumenta que o foco deve estar na montagem dos 27 palanques estaduais para governo e Senado, além da definição das chapas de candidatos a deputados. Ele menciona que o presidente Lula precisará escolher substitutos para cerca de 20 ministros que pretendem disputar as eleições. “A campanha já vai estar em ritmo forte. E a gente vai perder tempo e dinheiro para fazer um congresso sobre o futuro?”, questiona o ex-deputado.
Afastado da política desde o escândalo do mensalão, no qual foi um dos envolvidos, Cunha ainda mantém bom trânsito no PT e está ensaiando uma candidatura a deputado federal para 2026. Para ele, não faz sentido discutir o papel do PT antes de conhecer os resultados das eleições presidenciais. “A realidade para o partido será uma se o presidente Lula ganhar e outra se perder. Esse debate tem de ser feito posteriormente”, afirma.
A aprovação do congresso
O congresso do PT foi aprovado pela Executiva Nacional na última segunda-feira (17) e tem como objetivos discutir temas estruturais, como a reforma do estatuto do partido e as prioridades políticas para as próximas décadas. Além disso, está previsto um esboço de programa de governo para um eventual quarto mandato de Lula. No entanto, Cunha considera que o evento será apenas um “simulacro”. Ele acredita que, enquanto o congresso ocorrer, os membros do partido estarão mais preocupados com suas campanhas do que com os assuntos do partido. “As pessoas vão fingir que estarão discutindo assuntos do partido, mas vão estar interessadas mesmo nas suas campanhas e a do Lula”, ressalta.
Cunha ainda alerta que é um erro gastar energia com esse congresso em um momento em que a direita está articulada e mobilizada. “É um tiro no pé gastar energia com isso agora, no momento em que temos uma direita articulada e mobilizada e uma eleição que não será um passeio”, conclui.
O debate em torno do congresso do PT levanta questões sobre a estratégia do partido em um cenário político cada vez mais competitivo. Com o fortalecimento da direita nas últimas eleições, o PT precisa considerar cuidadosamente suas próximas ações e prioridades eleitorais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br








