Estratégia de Israel envolve apoio a grupos rivais do Hamas na Faixa de Gaza

Israel aposta em milícias anti-Hamas para controlar áreas da Faixa de Gaza.
Israel e a estratégia de armar rivais do Hamas
Israel tem buscado armar e fortalecer milícias que se opõem ao Hamas na Faixa de Gaza. Essa abordagem, que remonta a décadas atrás, visa criar um ambiente favorável a grupos rivais, permitindo que eles operem sem interferência direta das forças israelenses.
Os palestinos que se opõem ao Hamas frequentemente circulam armados, demonstrando seu apoio aos militares israelenses. Em vídeos compartilhados nas redes sociais, eles exibem armamentos e a liberdade de movimento, indicando um respaldo implícito por parte de Israel.
As milícias emergentes e seu apoio
Um exemplo é o grupo liderado por Hussam al-Astal, que se autodenomina Força de Ataque Antiterrorismo. Al-Astal, que já queimou uma bandeira do Hamas como símbolo de sua lealdade a Israel, acredita que a colaboração com o governo israelense pode levar a uma Gaza livre da facção dominante. Ele afirma ter o apoio de Israel para trazer recursos e armamentos para sua milícia.
Esse fenômeno não é novo; Israel tem uma longa história de armar facções em territórios inimigos, incluindo a minoria drusa na Síria e separatistas curdos no Iraque. No entanto, especialistas alertam que essa estratégia pode ser arriscada e repleta de consequências indesejadas. Gonen Itzhak, ex-oficial do Shin Bet, expressou preocupação com essa abordagem, afirmando que armar facções pode levar a um cenário caótico em Gaza, onde as armas eventualmente podem ser usadas contra Israel.
O impacto da guerra e a mudança de poder
A recente escalada de violência em Gaza, desencadeada por ataques do Hamas, criou um espaço propício para o surgimento de gangues criminosas e milícias rivais. A Unidade 504 da inteligência militar israelense está ativamente recrutando informantes entre esses grupos, na esperança de criar uma rede de aliados em meio ao caos.
Após os ataques de 7 de outubro de 2023, a busca por aliados dentro de Gaza se intensificou, com Israel tentando cultivar relações com milícias que possam atuar contra o Hamas, apesar de reconhecer que esses grupos não são necessariamente confiáveis.
Desafios e incertezas no futuro
O primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu reconheceu a necessidade de ativar clãs que se opõem ao Hamas, mas a eficácia dessa estratégia ainda é questionável. Com um Hamas bem estabelecido e uma rede complexa de apoio, a tarefa de Israel de criar um rival à altura é um desafio monumental.
Analistas como Igal Shiri observam que, embora haja uma oportunidade para Israel, a complexidade da situação em Gaza torna a tarefa delicada. A colaboração entre milícias e Israel pode trazer benefícios temporários, mas as consequências a longo prazo permanecem incertas. A história mostra que alianças forjadas em condições adversas frequentemente levam a complicações futuras, colocando Israel em uma posição arriscada em sua busca por segurança na região.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: AFP








