O pleito pode definir o futuro político do país, dividido entre EUA e Irã

Eleições no Iraque marcam a renovação do Parlamento sob forte influência dos EUA e Irã, com baixa participação popular.
Eleições no Iraque: um novo capítulo sob influências externas
Milhares de iraquianos foram às urnas nesta terça-feira (11) para escolher os 329 integrantes do Parlamento. As eleições no Iraque, o sexto pleito desde a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003, ocorreram sob intensa vigilância internacional e podem definir o rumo de um país dividido entre as influências de Washington e Teerã.
O primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani, que busca um segundo mandato, é apontado como o favorito. No entanto, ele deve enfrentar desafios significativos para formar um governo, já que não se espera que conquiste a maioria absoluta. A previsão é de que meses de negociações entre partidos xiitas, sunitas e curdos sejam necessários para a definição do novo premiê e a composição do governo.
Baixa participação e descontentamento popular
A votação foi marcada por uma baixa participação popular, reflexo da desconfiança generalizada na política iraquiana. De acordo com a Comissão Eleitoral, apenas 23% dos eleitores tinham comparecido às urnas até o meio do dia. As seções eleitorais foram encerradas às 18h (12h em Brasília). Os resultados preliminares devem ser divulgados em até 48 horas, com o resultado final esperado para a próxima semana.
Sudani, ao votar em Bagdá, empurrou a cadeira de rodas de sua mãe e afirmou que o pleito reafirma o “princípio da transferência pacífica de poder” no novo sistema político iraquiano. No entanto, o desânimo em relação ao processo democrático era evidente entre a população. Um advogado de Basra, Salih Abdul Hassan, expressou sua frustração: “Não votarei em políticos corruptos ou líderes de milícias. Não quero ser cúmplice dos crimes deles nos próximos quatro anos.”
A influência de Moqtada al-Sadr
As eleições ocorreram sem a participação do influente clérigo xiita Moqtada al-Sadr, que convocou seus seguidores a boicotar a votação. A ausência de seu movimento, que conta com centenas de milhares de apoiadores, tende a reduzir ainda mais a taxa de comparecimento, que foi de apenas 41% no pleito anterior, em 2021.
As ruas de Bagdá, decoradas com cartazes eleitorais, estavam quase desertas, com pouca movimentação além da presença das forças de segurança. Um estudante, Al Hassan Yasin, comentou: “A cada quatro anos, a história se repete. Não vemos rostos novos nem energia para transformações.”
Candidaturas e desafios políticos
Mais de 7.700 candidatos concorreram nas eleições, entre os quais quase um terço eram mulheres. Contudo, apenas 75 candidatos eram independentes, um número considerado baixo diante de uma lei eleitoral que, segundo críticos, favorece partidos tradicionais.
Desde a queda de Saddam Hussein, em 2003, o Iraque tenta consolidar um sistema político que distribui o poder entre grupos religiosos e étnicos. O primeiro-ministro é xiita, o presidente do Parlamento é sunita, e o presidente da República é curdo. Essa estrutura, embora tenha ajudado a conter tensões sectárias, também cristalizou a influência de elites políticas e milícias que controlam o Estado.
O país, que conta com 46 milhões de habitantes, enfrenta uma infraestrutura precária, serviços públicos deficientes e corrupção endêmica. A juventude, que representa a maioria da população, manifesta frustração com a falta de empregos e perspectivas de futuro.
O que esperar do novo governo?
O novo governo terá o desafio de equilibrar a relação entre os EUA e o Irã, lidar com grupos armados alinhados a Teerã, e responder à pressão de Washington para que essas milícias sejam desmobilizadas. Ao mesmo tempo, especialistas alertam que será necessário entregar melhorias concretas na vida cotidiana da população, evitando novos protestos populares como os que ocorreram em 2019 e 2020.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Shwan Nawzad/AFP








