Teerã afirma que abordagem atual de Washington não favorece diálogo igualitário sobre programa nuclear

Irã declara que EUA não estão prontos para negociações nucleares justas, criticando a postura americana.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os Estados Unidos não estão prontos para “negociações iguais e justas” sobre o programa nuclear iraniano. A declaração foi feita após o presidente Donald Trump mencionar a possibilidade de discussões com Teerã. Araqchi destacou que a atual abordagem de Washington não favorece um diálogo equilibrado.
As tensões entre Irã e EUA aumentaram após um ataque de Israel ao Irã em junho, que foi seguido por uma ofensiva americana contra instalações nucleares iranianas. Desde então, as tentativas de retomar o diálogo sobre o programa nuclear têm sido infrutíferas.
Os EUA, junto com seus aliados europeus e Israel, acusam o Irã de utilizar seu programa nuclear como uma fachada para desenvolver armas nucleares. O governo iraniano, por sua vez, insiste que seu programa tem propósitos pacíficos.
Em 2023, Irã e EUA realizaram cinco rodadas de negociações indiretas, nas quais o enriquecimento de urânio foi um tema central. Os EUA exigem que o Irã abandone essas atividades, mas Teerã se recusa a ceder sem garantias de um acordo justo.
Durante uma conferência em Teerã sobre “Direito Internacional sob Ataque”, Araqchi enfatizou que o Irã está disposto a dialogar, mas não em um contexto onde uma das partes busca impor sua vontade.
O vice-ministro das Relações Exteriores, Saeed Khatibzadeh, também criticou a abordagem americana, afirmando que as negociações estão sendo usadas como uma encenação para alcançar objetivos bélicos.
Trump, em declarações anteriores, alegou que o programa nuclear do Irã havia sido destruído, embora a extensão real dos danos ainda não esteja clara. Ele também indicou que ordenaria novos ataques caso o Irã tentasse reconstruir suas instalações nucleares.
No mês passado, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, comentou que Trump se ilude ao pensar que as bases nucleares do país foram destruídas.
Com a expiração do acordo internacional de 2015, que envolveu diversos países, incluindo Alemanha, China, EUA, França, Reino Unido e Rússia, o Irã anunciou que não seguiria mais as restrições ao seu programa nuclear. Embora isso tenha sido uma formalidade, tanto o Irã quanto as outras nações já não estavam cumprindo os compromissos estabelecidos, e as sanções foram reimpostas.
A situação entre Irã e EUA continua a ser um ponto crítico nas relações internacionais, com implicações para a segurança global e a estabilidade do Oriente Médio.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Maxar Technologies via AFP








