Pedido visa que a Corregedoria Central da PM apure o caso de forma independente

Ouvidor da polícia e OAB pedem investigação de PMs que invadiram escola em São Paulo.
Investigação de PMs que invadiram escola em SP
O ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, Mauro Caseri, solicitou nesta quarta-feira (19) que a Corregedoria Central da Polícia Militar seja a responsável pela investigação dos policiais que entraram armados na Emei Antônio Bento, localizada na zona oeste da capital. A ação dos PMs ocorreu durante uma atividade educativa que abordava a mitologia dos orixás, visando intimidar os educadores envolvidos.
O principal objetivo do requerimento é garantir que a investigação não seja conduzida pelo 16º Batalhão da Polícia Militar, que é o responsável pela área e pelos policiais implicados, todos da segunda companhia. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP) também se manifestou, enviando representantes para apoiar os professores e funcionários da instituição de ensino.
Em nota, Caseri informou que, ao saber que o pai que iniciou a situação era um sargento da PM, ele abriu um procedimento de ouvidoria específico para apurar a conduta desse servidor, com a intenção de que medidas sejam tomadas em relação a ele.
Parlamentares do PSOL também apresentaram uma representação à Corregedoria da PM, destacando irregularidades no ocorrido e solicitando que o caso seja tratado como abuso de autoridade. Eles pedem o afastamento dos policiais enquanto as investigações estão em andamento, como uma medida de proteção à comunidade escolar e para preservar a confiança pública na Polícia Militar.
O documento menciona a necessidade de que, ao final do processo, sejam elaboradas recomendações para a atuação policial em unidades de ensino infantil. Isso inclui a proibição do uso de guarnições fortemente armadas para averiguar conteúdos pedagógicos, além do respeito à autonomia pedagógica e ao cumprimento da legislação antirracista.
Mauro Caseri repudiou a conduta dos militares, considerando-a inadequada e destacando que há indícios de racismo religioso que devem ser rigorosamente investigados. Ele também está desenvolvendo uma proposta sobre relações étnico-raciais para os agentes de segurança pública que atuam nas escolas.
A Polícia Militar, por sua vez, informou que abriu um procedimento para investigar a conduta da equipe envolvida, composta por quatro policiais da 2ª Companhia do 16º BPM/M. A corporação está analisando imagens das câmeras corporais e coletando depoimentos dos envolvidos.
Embora apenas quatro policiais tenham sido citados, relatos de funcionários da escola e pais que estavam presentes durante a invasão indicam que o número de policiais era significativamente maior, com cerca de 12 homens cercando a diretora Aline Aparecida Floriano Nogueira.
Além disso, o pai da criança que gerou a situação registrou um boletim de ocorrência negando ter danificado um painel ao retirar um desenho feito pela filha. O 34º Distrito Policial (Vila Sônia) está convidando a servidora da escola para formalizar uma representação criminal, caso deseje, e colher seu depoimento sobre os eventos.
Os representantes da OAB que estiveram na escola foram a presidente da Comissão de Igualdade Racial, Rosana Rufino, e o presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero, Victor Grampa. Ambos estão programados para participar de um ato em defesa da escola e da educação antirracista na próxima terça-feira (25), às 15h, em frente à instituição.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: UOL








