A fala do assessor do presidente Lula ocorre em meio a tensões entre EUA e Venezuela

Celso Amorim alerta que uma intervenção na Venezuela pode resultar em caos na América do Sul.
Uma “intervenção externa” na Venezuela “pode incendiar a América do Sul”, afirmou Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, em entrevista à agência de notícias France Presse (AFP) nesta sexta-feira (24). A declaração surge em meio à escalada das tensões entre os Estados Unidos e a Venezuela, que já enfrentou bombardeios a 10 barcos no mar do Caribe e no Oceano Pacífico, supostamente carregando drogas, conforme afirmou o governo Trump. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que realizará ações terrestres contra cartéis de drogas em breve, sem mencionar diretamente a Venezuela.
Desde agosto, o governo republicano designou cartéis de drogas sul-americanos como organizações terroristas e intensificou operações militares contra eles. O presidente Maduro, por sua vez, alertou sobre a “Venezuela quer paz” e pediu a não haver uma “guerra maluca” na região. Amorim ainda comentou que a ação militar dos EUA poderia gerar problemas concretos de refugiados no Brasil e na Colômbia.
Ações militares e suas consequências
O governo Trump mobilizou uma grande presença militar no mar do Caribe, incluindo navios de guerra e jatos, com o objetivo de combater o narcotráfico. Desde o início das operações, 37 supostos traficantes foram mortos em ataques realizados em águas internacionais. A presença militar americana inclui destróieres com mísseis guiados e cerca de 6,5 mil militares.
Amorim criticou a falta de compreensão da política internacional por parte de Trump e destacou que Lula evitará dar lições ao presidente americano durante um possível encontro na Malásia. Na análise de especialistas da ONU, as ofensivas americanas violam o direito internacional e configuram execuções extrajudiciais.
Reações à militarização
O presidente Maduro classificou as operações militares como uma ameaça, afirmando que têm como objetivo mudar o regime venezuelano. Ele enfatizou que a militarização da região gera riscos e que a Venezuela deseja uma solução pacífica.
O debate sobre a intervenção externa na Venezuela continua, com implicações importantes não apenas para o país, mas para toda a América do Sul, onde a instabilidade pode afetar a segurança e a migração regional.








