Institutos de previdência investem milhões em fundos ligados ao Banco Master


Mais de cem regimes próprios municipais e estaduais aplicaram recursos em fundos do banco investigado, resultando em perdas significativas

Institutos de previdência investem milhões em fundos ligados ao Banco Master
Institutos de previdência aplicaram milhões em fundos ligados ao Banco Master. Foto: Folhapress

Mais de cem institutos de previdência estaduais e municipais investiram em fundos do Banco Master, sofrendo perdas relevantes após crise da Ambipar.

Confira os fundos de investimento ligados ao Banco Master e seus aportes

Texas I: Fundo de ações com R$ 103 milhões aportados pelos institutos de previdência em agosto de 2025, com 93% do patrimônio investido em ações da Ambipar.
Áquila: Fundo imobiliário com R$ 83 milhões investidos, com ativos em terrenos e galpões, além de cotas no fundo São Domingos.
São Domingos: Fundo que recebeu R$ 20 milhões em investimentos, possui ativos como cotas do fundo Áquila e empresas da família Vorcaro.
Brazilian Graveyard & Death Care: Fundo com R$ 16 milhões aplicados, investe em empresas como BR Cemitérios e é administrado pela Zion, ligada a Daniel Vorcaro.

  • Osasco Properties: Fundo com menor volume, somando R$ 5 milhões em aportes dos regimes de previdência.

O impacto financeiro dos investimentos dos institutos de previdência

Institutos de previdência municipais e estaduais investem milhões em fundos ligados ao Banco Master, que atualmente enfrenta investigações por suspeitas de fraude. Antes de 2025, os investimentos somavam R$ 238 milhões, mas sofreram queda de 57% após a crise da Ambipar, principal ativo dos fundos. Por exemplo, aportes no fundo Texas I perderam valor drasticamente devido à desvalorização das ações da Ambipar, afetando diretamente os institutos do Rio de Janeiro e Amapá, que juntos perderam cerca de R$ 100 milhões.

A rede de fundos suspeitos e as conexões com Daniel Vorcaro

A rede de fundos vinculados ao Banco Master inclui mais de 150 fundos, com seis principais apontados como suspeitos pelo Banco Central. Daniel Vorcaro, dono do banco, tem participação direta e indireta em alguns desses fundos, como o Brazilian Graveyard, administrado pela Zion, gestora da qual foi sócio. Investimentos foram direcionados para empresas familiares e setores imobiliários, ampliando o alcance da rede suspeita.

Investigação e respostas dos institutos de previdência afetados

A Polícia Federal prendeu o ex-presidente do Rioprevidência acusado de obstrução de justiça. Institutos como Amprev (Amapá) e GoiâniaPrev (Goiânia) afirmam buscar alternativas jurídicas para recuperar perdas, enquanto outros, como o de Uberlândia, destacam que as aplicações foram realizadas por gestões anteriores e que denunciam os fatos aos órgãos competentes. A Planner, administradora de alguns fundos, nega qualquer vínculo com o Banco Master. Já algumas prefeituras ainda não se pronunciaram oficialmente.

Histórico e contexto dos investimentos em fundos do Banco Master

Os investimentos em fundos ligados ao Banco Master começaram antes de 2013, com decisões documentadas em comitês de investimentos, como o GoiâniaPrev, que alocou R$ 3,5 milhões no fundo Áquila naquele ano. Desde então, aportes continuaram, mesmo diante de alertas e investigações. O fundo Áquila, por exemplo, teve prejuízo de R$ 20 milhões em 2025 e suas contas foram reprovadas pelos cotistas, evidenciando riscos e falhas na governança desses fundos.

Desafios e perspectivas para os institutos de previdência

Institutos de previdência enfrentam o desafio de recuperar recursos aplicados em fundos que sofreram desvalorização e estão sob investigação. A baixa liquidez desses fundos dificulta a saída imediata dos investimentos sem a realização de prejuízo relevante. Com processos judiciais em andamento e buscas por ressarcimento, as entidades trabalham para mitigar impactos financeiros e proteger os recursos dos servidores públicos que administram.

A análise detalhada revela a complexidade das aplicações dos institutos de previdência em fundos associados ao Banco Master, evidenciando a necessidade de maior fiscalização e transparência para evitar prejuízos futuros aos servidores públicos e garantir a sustentabilidade desses regimes.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


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