Instituto busca suspender indicação de Messias por desequilíbrio de gênero no STF


Entidade argumenta que apenas uma mulher ocupa assento na corte, defendendo paridade de gênero

Instituto busca suspender indicação de Messias por desequilíbrio de gênero no STF
Painel

Instituto Movad entra com ação para suspender indicação de Jorge Messias ao STF, pedindo nomeação de mulher.

Ação do Instituto Movad contra a indicação de Jorge Messias ao STF

O Instituto Movad de Respeito à Advocacia apresentou uma ação civil pública contra a União, buscando suspender a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O movimento ocorre em meio a uma discussão acirrada sobre a representação de gênero na mais alta corte do país, que atualmente conta com apenas uma mulher ocupando um dos onze assentos disponíveis. Essa situação é considerada como uma “assimetria de gênero” pelas entidades que defendem a equidade.

Motivos para a ação

Na ação, protocolada na Justiça Federal do Distrito Federal, o Movad argumenta que a composição do STF é emblemática, com a ministra Cármen Lúcia sendo a única mulher no tribunal, situação que se tornará ainda mais crítica com sua aposentadoria prevista para 2029. O instituto destaca que menos de 10% dos assentos do STF são ocupados por mulheres, um percentual que contrasta com a realidade social brasileira, onde as mulheres representam mais de 50% da população e dos profissionais da advocacia.

Consequências da sub-representação

O instituto salienta que a falta de uma representação proporcional de mulheres no STF não apenas compromete a pluralidade de opiniões dentro da corte, mas também viola compromissos democráticos essenciais. A ausência de mulheres em posições de destaque pode prejudicar a maneira como temas sensíveis, como violência doméstica e direitos reprodutivos, são tratados. O Movad argumenta que essa sub-representação fere a legitimidade da Corte perante a sociedade.

Pedido de indenização e ações futuras

Além de solicitar a suspensão da indicação de Messias, o Movad pede que a União, representada pelo presidente e pelo Senado, seja condenada a indicar uma mulher para a vaga. A entidade também requer que seja estabelecida uma indenização em valor considerável, revertida para políticas públicas voltadas à inclusão e igualdade de gênero. Em comunicado, o Movad enfatiza que não está questionando a capacidade técnica de Jorge Messias, mas sim a necessidade de atender a um princípio de representatividade na justiça.

A importância da paridade de gênero

O Movad destaca que a Constituição brasileira e as normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) promovem a igualdade de gênero, e que a atual composição do STF ignora esses princípios. O instituto afirma que a estrutura do tribunal não pode continuar a refletir desigualdades históricas que a Constituição se propõe a eliminar. A ação é vista como um passo importante para garantir que as vozes femininas sejam ouvidas e respeitadas no contexto judicial brasileiro, especialmente em uma época em que as questões de gênero são cada vez mais centrais no debate público.

Reflexões sobre o futuro do STF

Com a aposentadoria iminente de Cármen Lúcia, a necessidade de uma mudança na composição do STF se torna ainda mais urgente. O que está em jogo é não apenas a representação de gênero, mas a própria forma como a justiça é percebida e exercida no Brasil. A luta por uma maior inclusão feminina nas esferas de decisão judicial é fundamental para garantir que a justiça seja verdadeiramente representativa da sociedade. A ação do Movad representa uma chamada à ação para todos que acreditam na equidade e na justiça para todas as vozes da população.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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