Iniciativa global une esforços para mapear feminicídios


Pesquisadoras criam rede para melhorar a coleta de dados sobre feminicídio em várias regiões

Iniciativa global une esforços para mapear feminicídios
Manifestação contra o feminicídio. Foto: m

A rede Dados Contra Feminicídio busca produzir dados mais precisos sobre as vítimas na América Latina.

A rede Dados Contra Feminicídio (DCF) foi criada com o propósito de reunir esforços de diversas pesquisadoras e ativistas para coletar dados mais precisos sobre feminicídio, um problema alarmante que afeta mulheres em todo o mundo. Com a participação de mais de 190 núcleos em cinco continentes, a iniciativa se destaca especialmente na América Latina, onde 107 núcleos estão ativos.

A coordenadora Helena Suárez Val, uma das fundadoras do DCF, ressalta que os dados não são apenas números, mas representam vidas perdidas e a urgência de proteger outras mulheres. A DCF não se limita a levantar dados, mas sim a apoiar aqueles que realizam essa tarefa, promovendo um entendimento mais amplo sobre o feminicídio.

Contexto da criação da rede

O DCF surgiu em 2019 a partir da união de Suárez com Silvana Fumega e Catherine D’Ignazio, que trouxeram experiências valiosas em pesquisa e tecnologia. Com a adesão de Isadora Cruxên em 2023, o grupo tem se fortalecido na busca por soluções que ajudem a coletar dados relevantes. No Brasil, a rede conta com 21 iniciativas, incluindo o Fórum Cearense de Mulheres e o Laboratório de Estudos de Feminicídios da Universidade Estadual de Londrina.

“Cada região enfrenta desafios únicos. Por exemplo, no Ceará, a relação entre feminicídio e crime organizado é um foco de preocupação”, explica Cruxên, destacando a importância de adaptar as abordagens às especificidades locais. No Brasil, o feminicídio é reconhecido como crime hediondo desde 2015, mas em muitos países, esse crime ainda não é claramente definido na legislação.

Ferramentas tecnológicas e colaboração

A DCF atua em duas frentes principais: a primeira é fomentar uma comunidade internacional que compartilha conhecimento e experiências sobre a coleta de dados. A segunda é desenvolver ferramentas tecnológicas que auxiliem na análise de boletins de ocorrência e outros documentos. Um exemplo é o Marcador de Dados, que facilita a identificação de informações relevantes em textos, permitindo a organização desses dados em um banco de dados.

Além disso, o Sistema de Alertas é outra ferramenta que envia informações relevantes aos usuários, ajudando-os a se manterem atualizados sobre casos de feminicídio. O suporte e a troca de informações entre organizações envolvidas são fundamentais para o sucesso da iniciativa.

Desafios na coleta de dados

Apesar do avanço nas ferramentas e da colaboração entre os núcleos, existem desafios significativos. A definição de feminicídio varia entre os países, e a negligência do Estado em documentar e investigar esses crimes contribui para a subnotificação. Em 2023, o Laboratório de Estudos de Feminicídios no Brasil registrou um aumento de 16% em relação ao número de feminicídios comparado a dados oficiais, evidenciando a necessidade urgente de uma abordagem mais rigorosa e sensível ao gênero na coleta de dados.

Conclusão

A rede Dados Contra Feminicídio é um esforço crucial na luta contra a violência de gênero, buscando não apenas levantar dados, mas também promover um debate mais amplo sobre a violência que mulheres enfrentam. Através da colaboração e do uso de tecnologia, a iniciativa espera transformar a forma como o feminicídio é compreendido e combatido em todo o mundo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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