Indústria de café solúvel brasileira luta por isenção tarifária nos EUA


Após retirada de tarifas sobre grãos in natura, setor busca eliminar taxa de 50% sobre o produto solúvel

Indústria de café solúvel brasileira luta por isenção tarifária nos EUA
Café solúvel: setor busca isenção de tarifas. Foto: AFP

O setor de café solúvel do Brasil negocia com os EUA para remover a tarifa de 50% sobre o produto, após isenção de tarifas sobre grãos in natura.

Indústria de café solúvel brasileira busca isenção tarifária nos EUA

Na última sexta-feira (21), a indústria brasileira de café solúvel reafirmou seu compromisso em manter negociações com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva para eliminar a tarifa de 50% aplicada aos produtos solúveis nos Estados Unidos. Este movimento ocorre após a recente decisão do ex-presidente Donald Trump, que retirou a taxa de 40% sobre os grãos de café in natura na quinta-feira (20).

Os EUA são um dos principais importadores de café solúvel do Brasil, representando cerca de 20% do volume total exportado, o que equivale a aproximadamente US$ 200 milhões (R$ 1,07 bilhão). A Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) destacou que a manutenção da tarifa atual inviabiliza a competitividade do café brasileiro, favorecendo produtos de outras origens.

“A manutenção da tarifa inviabiliza a competitividade do produto brasileiro, favorecendo outras origens”, afirmou a Abics. O setor, que registra divisas anuais de US$ 1,1 bilhão (R$ 5,89 bilhões), exportando mais de 4 milhões de sacas, enfrenta um cenário desafiador. Em 2024, o café solúvel brasileiro correspondia a 38% das importações totais desse tipo de produto pelos EUA, segundo dados da associação.

Com o aumento das tarifas, os EUA deixaram de ser o principal destino do café solúvel brasileiro pela primeira vez na história, com a Rússia assumindo essa posição. A Abics alertou para o risco de que o café solúvel brasileiro seja permanentemente substituído por produtos de outras origens nas prateleiras dos supermercados norte-americanos. “Uma vez perdida essa fatia de mercado e a lealdade do consumidor, a recuperação será uma missão extremamente difícil, com perdas duradouras para toda a cadeia produtiva nacional, desde os cafeicultores até as indústrias e seus trabalhadores”, acrescentou a associação.

Os preços do café na bolsa de Nova York caíram mais de 6% após a retirada das tarifas sobre os grãos de café in natura, com o mercado reagindo positivamente ao retorno do produto brasileiro ao mercado norte-americano. A Abics, no entanto, ressalta que a decisão do governo Trump contrasta com o progresso nas negociações bilaterais e representa um desafio contínuo para o setor.

“Apesar do revés, a Abics reitera seu compromisso inabalável com a continuidade das negociações. Estamos mobilizados e engajados em todas as frentes diplomáticas e comerciais para buscar a isenção completa do café solúvel das tarifas adicionais”, informou a associação.

Entidades do setor, como o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil e a BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), celebraram a retirada das tarifas totais sobre os cafés verdes do Brasil. A luta pela isenção da tarifa sobre o café solúvel, no entanto, continua sendo uma prioridade para garantir a competitividade e a presença do produto brasileiro no mercado internacional.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: AFP


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