Organizações criticam escolha de Lula e pedem maior representação no STF

Indicação de Jorge Messias para o STF gera reações negativas de ativistas que pedem diversidade.
A indicação de Jorge Messias para o STF (Supremo Tribunal Federal) pelo presidente Lula, realizada no Dia da Consciência Negra, provocou reações negativas de entidades e ativistas que exigem uma maior diversidade na composição da corte. Atualmente, o STF conta apenas com uma mulher, a ministra Cármen Lúcia, e é composto majoritariamente por homens brancos, o que levanta preocupações sobre a representatividade no Judiciário.
Messias, que substitui Luís Roberto Barroso, é a terceira indicação de Lula em seu mandato, seguindo Cristiano Zanin e Flávio Dino. A escolha, que deveria ser uma oportunidade de promover diversidade, frustrou grupos que vêm pressionando o governo por uma maior inclusão de mulheres e pessoas negras no sistema judicial.
Desde a aposentadoria antecipada de Barroso, várias organizações têm se mobilizado para exigir que Lula atenda a essa demanda, especialmente em um dia que simboliza a luta contra a discriminação racial. Apesar de ações como a assinatura de decretos para a desapropriação de terras de comunidades quilombolas, a escolha de um advogado-geral da União, um aliado próximo de Lula, foi vista como uma contradição em relação às promessas de democratização.
“Nós esperávamos que as forças progressistas tomassem uma atitude diferente diante da falta de representatividade. É decepcionante ver que interesses políticos de esquerda e direita prevalecem sobre a necessidade de democratizar espaços de poder”, afirmou José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares. Ele ressaltou que essa decisão compromete a representatividade da Suprema Corte e, consequentemente, os direitos da população brasileira.
Os movimentos Coalizão Negra por Direitos e Mulheres Negras Decidem, que já planejavam uma marcha em Brasília para pressionar Lula, criticaram a escolha nas redes sociais. Em uma nota, eles afirmaram que a decisão perpetua um histórico de exclusão, destacando que o Brasil se recusa a reconhecer a excelência e a legitimidade das mulheres negras.
“Marcharemos na próxima terça-feira por representação no Judiciário e exigiremos uma Presidência que nos escute e não nos despreze”, diz o texto divulgado pelos movimentos.
Além disso, organizações como Fórum Justiça e Plataforma Justa exigem que governos com discursos progressistas convertam suas promessas em práticas reais, garantindo políticas que reflitam o compromisso com a igualdade e a diversidade. Com a indicação de Messias, essas entidades pedem um compromisso formal de Lula com a paridade de gênero e raça em futuras nomeações, não só para o STF, mas para todas as instâncias do sistema de Justiça.
Essa situação ressalta a necessidade urgente de revisar as práticas de seleção no Judiciário brasileiro, de modo a garantir que todos os segmentos da sociedade estejam adequadamente representados nas instâncias de poder. O clamor por uma Justiça que reflita a diversidade da população é mais relevante do que nunca, especialmente em uma sociedade tão desigual como a brasileira.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress








