Atingidos relatam perdas e desafios em novas comunidades

Após dez anos da tragédia, moradores de Mariana enfrentam a perda do convívio e tradições comunitárias.
Em Mariana, Minas Gerais, no dia 5 de novembro de 2015, a tragédia provocada pelo rompimento da barragem de Fundão alterou a vida de muitos moradores. Atingidos relatam a perda do convívio e das tradições comunitárias, refletindo sobre como a ausência de um senso de comunidade se tornou parte da nova realidade. A Samarco, responsável pela tragédia, afirma que a vida comunitária tem se fortalecido, mas muitos moradores discordam dessa visão.
A nova realidade dos atingidos
Durante a visita ao reassentamento de Bento Rodrigues, cerca de 24 km do centro de Mariana, a reportagem notou a escassez de pessoas nas ruas, uma situação comum para os moradores. Segundo Manoel Marcos Muniz, conhecido como Marquinhos, a falta de contato entre vizinhos se assemelha ao que ocorreu nas primeiras semanas da pandemia de Covid-19. Ele destaca que a vida social, antes vibrante, se perdeu com o reassentamento, que não reproduz a identidade do antigo subdistrito.
Desafios enfrentados
Os moradores enfrentam, além da falta de identificação com o novo território, a entrega tardia das casas prometidas. Marquinhos, que ainda não recebeu a chave de seu novo lar, exemplifica a frustração que muitos sentem em relação ao reassentamento. A Samarco, por sua vez, informou que 389 obras estão finalizadas, incluindo bens públicos e residências, mas a insatisfação persiste entre os atingidos. Luzia Queiroz, outra residente, compartilha sua desilusão ao perceber que o novo Paracatu de Baixo não se assemelha ao lugar de origem, onde a cultura local era vibrante.
Luta pela preservação das tradições
Apesar das dificuldades, os atingidos se esforçam para manter vivas suas tradições. Marquinhos se reúne com amigos para celebrar festividades que marcam a história de Bento Rodrigues e resistir à perda cultural. Ambos, Marquinhos e Luzia, defendem a criação de um memorial em cada subdistrito para preservar suas memórias. O prefeito de Mariana, Juliano Duarte, reconhece a importância dessa iniciativa e destaca que os recursos já foram alocados para tal.
Conclusão: um futuro incerto
A tragédia de Mariana não apenas resultou em perdas materiais, mas também em uma desconexão profunda entre os moradores e suas raízes. A luta pela identidade e pela preservação das tradições é um desafio constante, enquanto as comunidades tentam encontrar um novo caminho após a tragédia.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








