Estudo revela desigualdades enfrentadas por negros e pobres em grandes cidades brasileiras

Estudo revela que comunidades negras e pobres enfrentam riscos maiores em eventos climáticos extremos nas cidades analisadas.
Em Belém, nesta segunda-feira (3), um estudo do Instituto Pólis revela que a população negra enfrenta riscos desproporcionais em relação às brancas durante eventos climáticos extremos. A pesquisa analisa dados de Belém, São Paulo, Porto Alegre e Recife, e demonstra que as comunidades negras têm menos acesso a serviços básicos e maior vulnerabilidade ambiental.
Desigualdade nas taxas de hospitalização
A pesquisa mostra que em Belém, uma pessoa negra tem até 30 vezes mais chances de ser hospitalizada devido a doenças transmitidas pela água contaminada. Além disso, a taxa de hospitalização por arboviroses é sete vezes maior entre os negros do que entre os brancos. O estudo, intitulado “Racismo Ambiental e Injustiça Climática”, será apresentado na próxima semana na COP30, conferência sobre clima da ONU.
Análise de vulnerabilidade
Os dados foram coletados a partir do Censo 2022, cruzando informações sociodemográficas com indicadores de vulnerabilidade. A taxa de cobertura de esgoto nas favelas de São Paulo aumentou de 70,5% para 76,9%, embora ainda esteja muito abaixo da média municipal. Em Porto Alegre, a população negra representa 25,9% do total, mas 40,2% dos moradores em áreas de risco. A renda média em áreas de risco é de R$ 2.506,71, menos da metade da média da cidade.
Conclusões e recomendações
Cássia Caneco, diretora do Instituto Pólis, afirma que a crise climática aprofunda desigualdades históricas e ressalta a urgência de políticas públicas que coloquem os territórios mais vulneráveis no centro das decisões. O estudo indica que a cobertura de esgoto nas áreas predominantemente brancas é quase 90%, enquanto nas favelas de Recife cai para 39%. O levantamento contou com apoio da Misereor e dados da plataforma UrbVerde.
Notícia feita com informações do portal: redir.folha.com.br








