Comunidade que abrigou 90 famílias é desmantelada por programa federal

A Ilha Mauá, em Porto Alegre, se transforma em uma vila fantasma após a saída das últimas famílias.
O silêncio tomou conta da Ilha Mauá, em Porto Alegre, após a saída das últimas famílias. Agora, somente restam escombros e ruas vazias. A comunidade, que abrigou cerca de 90 famílias, virou um cenário de abandono às margens do Guaíba. A desocupação da área, considerada de alto risco de inundação, faz parte de um programa federal de compra assistida.
Desocupação e demolição
As casas estão sendo demolidas, os terrenos limpos e os moradores realocados. Segundo a prefeitura, essa ação é um esforço conjunto com o governo federal para retirar moradores de áreas vulneráveis. O padre Rudimar Dal Asta, que acompanhou a comunidade ao longo dos anos, reconhece o peso da decisão: “Ainda estamos com medo. A destruição foi muito grande. As famílias fizeram sua opção. Estamos cansados do medo, cansados de a água vir e encher as casas”.
Impacto na comunidade
Cida Marques, moradora há 64 anos, está deixando o local com a desocupação. “De noite, tu deita na cama e fica pensando na tua infância toda ali, jogada fora”, lamenta o pescador Eder Ribeiro, que aguarda uma nova moradia. O programa já cadastrou 2.963 beneficiários nas ilhas de Porto Alegre, e até o início de outubro, 1.939 haviam sido contemplados.
Reflexões sobre a mudança
A transformação da Ilha Mauá em uma vila fantasma traz à tona reflexões sobre as dificuldades enfrentadas por seus habitantes. A expectativa de um futuro melhor, mesmo diante da tristeza da perda, é um sentimento compartilhado entre os moradores.








