Ativismo digital e sua influência sobre governos em crise

A Geração Z utiliza redes sociais para mobilizações que resultaram na queda de governos em diversos países.
Em Madagascar, no dia 18 de outubro de 2025, a insatisfação popular levou o presidente Andry Rajoelina a fugir do país, evidenciando um novo fenômeno: a mobilização da Geração Z. Este grupo, que abrange jovens de 14 a 28 anos, vem utilizando redes sociais para engajamentos políticos em diversos países, como Peru, Nepal e Marrocos.
Mobilização digital e seus efeitos
Os protestos recentes têm em comum uma lógica de engajamento veloz e descentralizada, mediada pela internet. Em várias nações, jovens foram às ruas em resposta a crises locais, como a corrupção e a insatisfação econômica. Por exemplo, no Nepal, uma proibição de redes sociais gerou manifestações massivas. Esther Solano, professora da Universidade Federal de São Paulo, ressalta que essa geração não é apática, mas sim engajada através de circuitos digitais que passam despercebidos pelas gerações anteriores.
A influência dos algoritmos
A rapidez com que as mobilizações ocorrem é facilitada por plataformas digitais. No entanto, isso também traz riscos, pois a mediação de grandes empresas de tecnologia introduz variáveis que podem afetar o engajamento. Sofia Ong’ele, diretora da organização Gen Z for Change, enfatiza que os algoritmos não são neutros e refletem interesses corporativos. Isso levanta a necessidade de criar espaços digitais autônomos para manter a liberdade e a integridade do ativismo.
Desafios e oportunidades
Apesar do alto nível de engajamento, críticos apontam que a volatilidade dos movimentos pode resultar em desinformação e falta de propostas concretas. A ausência de liderança centralizada pode ser uma força, mas também gera vácuos de poder. Sofia destaca a importância da união entre a mobilização digital e as estruturas tradicionais de representação política, visto que a desconexão pode impedir que as demandas da Geração Z sejam efetivamente atendidas.
Conclusão
O fenômeno da Geração Z nas ruas, utilizando redes sociais para promover mudanças, representa uma nova era no ativismo político. A capacidade dessa geração de se mobilizar rapidamente e de forma descentralizada é um reflexo das transformações na comunicação e na política contemporânea.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








