General absolvido por trama golpista tem laços com a família militar mais tradicional do Brasil


Estevam Theophilo foi o primeiro réu a ser absolvido em um caso de tentativa de golpe de Estado, revelando a influência de sua família no Exército.

General absolvido por trama golpista tem laços com a família militar mais tradicional do Brasil
Estevam Theophilo, absolvido em caso de golpe, é parte de uma família militar tradicional. Foto: Arquivo pessoal — Foto: Arquivo pessoal/Arquivo pessoal

O general Estevam Theophilo, ligado a uma família militar, foi absolvido por falta de provas em caso de golpe.

O contexto da absolvição de Estevam Theophilo

Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, um general do Exército Brasileiro, foi absolvido recentemente em um caso de tentativa de golpe de Estado, conhecido como a trama golpista. Acusado de coordenar o emprego das forças terrestres para um golpe em 2022, Theophilo é o primeiro réu a obter tal absolvição. O caso chamou a atenção não apenas pela gravidade das acusações, mas também pelos laços familiares que o general possui dentro da hierarquia militar, sendo membro da única família autorizada a usar barba no Exército.

Acusações e defesas

A Procuradoria-Geral da República (PGR) acusou Theophilo de ter aceito coordenar atividades militares para viabilizar a tentativa de golpe. Segundo as alegações, isso ocorreu em uma reunião com o então presidente Jair Bolsonaro em 9 de dezembro de 2022, onde supostamente foram discutidas alterações em um decreto relacionado à trama golpista. A principal prova apresentada pelo procurador-geral Paulo Gonet foi uma mensagem de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que mencionava o general em conversas sobre o golpe.

Em defesa, Estevam Theophilo negou as acusações e argumentou que as conversas foram mal interpretadas. Em depoimento, ele afirmou que o encontro com Bolsonaro envolveu um desabafo do presidente sobre o processo eleitoral, e que ele apenas buscou acalmá-lo. A defesa do general foi apoiada por depoimentos de ex-comandantes do Exército, que sustentaram que as acusações se baseavam em rumores sem evidências concretas.

A decisão do Supremo Tribunal Federal

Após análise das provas, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, destacou que, apesar de indícios da participação de Theophilo na trama golpista, não havia elementos suficientes para uma condenação. A votação pela absolvição foi acompanhada por outros três ministros, o que reforçou a decisão de que as provas não eram robustas o bastante para justificar uma punição.

A tradição da família Theophilo

A família Theophilo tem uma história rica no Exército Brasileiro, sendo a única autorizada a manter a barba, uma tradição que remonta a gerações. O uso de barba foi banido no Exército brasileiro na década de 1920, mas uma solicitação formal foi feita em 1982 para que a tradição familiar fosse mantida. A autorização foi concedida pelo então ministro do Exército, que reconheceu a tradição de cinco gerações da família.

Implicações políticas e militares

A absolvição de Theophilo não apenas ilumina as complexidades legais em torno das acusações de tentativa de golpe, mas também destaca as redes de apoio dentro das forças armadas. A mobilização de ex-chefes militares em defesa do general sugere uma divisão entre aqueles que apoiam a narrativa do golpe e aqueles que defendem a legalidade e a ordem constitucional. Essa situação pode ter repercussões significativas para o futuro do Exército e sua relação com a política brasileira.

A história de Estevam Theophilo, marcada por sua ascensão dentro das fileiras militares e suas conexões familiares, continua a ser um ponto focal no cenário político brasileiro, refletindo as tensões entre lealdade, tradição e a busca por justiça.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Arquivo pessoal/Arquivo pessoal


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