Fracassos de Derrite revelam limitações da direita sobre segurança pública


Análise crítica sobre a política de segurança e os resultados do projeto Antifacções

Fracassos de Derrite revelam limitações da direita sobre segurança pública
Celso Rocha de Barros

Análise crítica sobre como os fracassos de Derrite na segurança pública refletem a falta de conhecimento da direita.

Os fracassos de Guilherme Derrite (PP-SP) na semana passada revelaram que o bolsonarismo, especialmente na questão da segurança pública, demonstra uma falta de conhecimento preocupante. A discussão em torno do projeto de lei Antifacções, que ele relator, expôs as fragilidades da política de segurança proposta pela direita. Com a intenção de equiparar quadrilhas de traficantes a terroristas, a abordagem se mostrou equivocada e impraticável.

Quando Derrite assumiu a relatoria do projeto, a direita tinha duas expectativas principais. A primeira era a de que a equiparação das quadrilhas ao terrorismo abriria portas para uma intervenção federal similar àquelas praticadas por Trump nos EUA. A segunda, e talvez mais crucial, era manter o controle do combate ao crime nas mãos dos governadores. Contudo, essa estratégia falhou, revelando a falta de uma visão realista sobre o problema.

O combate a organizações criminosas como o PCC ou o Comando Vermelho não pode ser efetivamente realizado sem a atuação do governo federal. Nos EUA, o governo federal é responsável por combater a Al Qaeda, e não os governos estaduais. Essa comparação ilustra a necessidade de um esforço centralizado para enfrentar o crime organizado.

Além disso, havia um risco político evidente. Se Lula assumisse o controle do combate ao crime, os governadores bolsonaristas perderiam uma importante bandeira eleitoral. A política de segurança do governo anterior, que focava na liberação do uso de armas, não promoveu uma solução eficaz, permitindo que cada cidadão enfrentasse o crime por conta própria, o que se mostrou extremamente problemático.

O PL Antifacção é necessário, pois os estados sozinhos não têm capacidade de lidar com organizações criminosas que operam em múltiplos estados e integram redes internacionais. A articulação nacional é essencial. Entretanto, Derrite tentou limitar a atuação da Polícia Federal, exigindo que esta só pudesse investigar com a autorização dos governadores. Essa medida é não apenas inconstitucional, mas também suspeita, pois beneficiaria governadores que têm ligações com o crime organizado.

Após uma série de mudanças de posição e fracassos, Derrite acabou por recuar em suas propostas. Isso evidencia que a direita chegou a uma discussão prática completamente despreparada. A política de segurança de Bolsonaro foi marcada por decisões que evitavam qualquer responsabilidade direta, como liberar o uso de armas, sem oferecer soluções efetivas para o aumento da violência.

Para a esquerda, o vexame da direita em um tema que acreditavam dominar pode ser visto como um alívio. No entanto, a verdade é que o país sofre com a escassez de pessoas qualificadas para debater segurança pública de maneira eficaz. O que se viu na semana passada foi um exemplo claro de como a falta de conhecimento e preparo pode comprometer a segurança da população.

Cada recuo de Derrite fez com que o projeto se aproximasse mais da proposta original do governo federal, que, embora tenha suas falhas, carece de uma oposição bem formada e qualificada para aperfeiçoá-lo. O que se espera é que, no futuro, possamos contar com um cenário político que não apenas discuta, mas que também implemente soluções eficazes para os problemas de segurança pública do Brasil.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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