Nova espécie de pterossauro descoberta na Bacia do Araripe

Uma nova espécie de pterossauro foi identificada a partir de um fóssil de vômito na Bacia do Araripe, revelando informações sobre sua alimentação.
Um fóssil encontrado na Bacia do Araripe, no Nordeste, revelou uma nova espécie de réptil voador que viveu na época dos dinossauros. A descoberta, publicada na revista Scientific Reports, apresenta o Bakiribu waridza, o primeiro pterossauro comedor de plâncton já identificado nos trópicos, vivendo há cerca de 110 milhões de anos.
O nome da nova espécie é uma homenagem à herança cultural da região, sendo que “bakiribu” significa “pente” em kariri, referindo-se à dentição característica do animal, e “waridza” significa “boca”. O estudo aponta que o fóssil foi preservado em uma massa de material indigesto, indicando que o pterossauro foi ingerido por um predador, possivelmente um espinossaurídeo, antes de ser vomitado.
As análises também revelaram restos de quatro peixes, reforçando a hipótese de que o predador consumiu o pterossauro e o vomitou devido ao desconforto causado pelos ossos e dentes da presa. A descoberta é considerada excepcional pelos pesquisadores, uma vez que se trata da primeira espécie extinta documentada a partir de um vômito fossilizado.
Aline Ghilardi, da UFRN, uma das pesquisadoras envolvidas no projeto, expressou a importância do achado, comparando-o a ganhar na mega-sena da paleontologia. O fóssil permaneceu na coleção do Museu Câmara Cascudo, em Natal, como “peixe indeterminado” por 40 anos antes de ser corretamente identificado.
O Bakiribu waridza é agora parte da família Ctenochasmatidae, conhecida por suas adaptações alimentares especializadas para filtração. Essas criaturas prosperaram durante o Jurássico Superior, mas foram progressivamente declinando até o final do Cretáceo Inferior. A nova espécie apresenta um mosaico de características morfológicas que ligam parentes mais antigos, como o Ctenochasma, a formas mais recentes e especializadas, como o Pterodaustro.
A descoberta do Bakiribu waridza é significativa não apenas pela sua singularidade, mas também por preencher lacunas sobre a evolução e dispersão dos pterossauros. As características dentárias, incluindo mandíbulas alongadas e fileiras densas de dentes, são indicativas de uma dieta baseada na filtração, destacando a diversidade alimentar dos pterossauros na era dos dinossauros.
Este achado é um marco para a paleontologia brasileira e representa um importante passo na compreensão da história evolutiva dos répteis voadores. O fóssil encontrado na Bacia do Araripe, que se estende pelos estados de Pernambuco, Ceará e Piauí, é um exemplo da riqueza paleontológica da região, famosa por seus fósseis excepcionais.
Fonte: noticias.uol.com.br








