Flávio Souza destaca o Eco Invest como modelo de sucesso em alavancagem de investimentos sustentáveis

Modelo de financiamento misto pode ampliar recursos para a transição climática, segundo Flávio Souza do Itaú BBA.
Financiamento misto como solução para a transição climática
O conceito de financiamento misto, ou ‘blended finance’, tem sido apontado como uma alternativa viável para escalar os investimentos necessários para a transição climática. Em uma entrevista, Flávio Souza, presidente do Itaú BBA, destacou que o modelo combina capital público subsidiado com recursos privados, permitindo um aumento significativo na oferta de financiamento para projetos sustentáveis.
Durante a COP30, realizada em Belém, Souza comentou sobre o programa Eco Invest, que já alavancou R$ 75 bilhões por meio de leilões em que o setor público oferece recursos com taxas subsidiadas. “A parte subsidiada soma menos de R$ 20 bilhões. O privado entra com uma linha de mercado, a custo de mercado. O blended finance faz essa mistura. Ao final, o tomador do financiamento tem acesso a uma alternativa mais vantajosa”, explicou o executivo.
Potencial do Eco Invest para alavancar investimentos
Souza enfatizou que o Eco Invest, coordenado pelos ministérios da Fazenda e do Meio Ambiente, é um exemplo de sucesso que pode ser replicado em outras iniciativas. Segundo ele, a abordagem permite que o capital privado se una ao público, gerando um efeito multiplicador. “Os leilões realizados até agora mostraram que é possível atrair investimentos significativos para setores como energia e saneamento, que já estão em fase de maturidade”, afirmou.
Além disso, o presidente do Itaú BBA apontou que a taxa de retorno é crucial para a atração de investimentos. “Se um projeto não alcançou a sustentabilidade econômica, a disponibilidade de financiamento fica mais difícil. É preciso que os projetos sejam viáveis do ponto de vista econômico”, disse.
A importância da taxonomia e do marco regulatório
A discussão sobre a taxonomia, que define o que é considerado um investimento sustentável, também foi abordada por Souza. Ele mencionou que a definição da taxonomia para o Brasil é um avanço importante, pois estabelece normas claras para o mercado. Isso, segundo ele, ajuda a direcionar recursos para atividades que realmente têm um impacto positivo no meio ambiente.
“O mercado está ajudando a desenvolver soluções que misturam o capital de incentivo e o capital com retorno econômico”, afirmou. Essa definição ajuda a criar um ambiente mais favorável para investimentos em projetos sustentáveis.
Desafios e oportunidades nos setores maduros
Souza ressaltou que, embora haja um volume relevante de financiamento disponível, a oferta depende do amadurecimento de cada setor. Ele observou que setores como energia já tiveram um aumento significativo no financiamento, enquanto outros, como saneamento e agronegócio, ainda estão em fase de crescimento.
“O setor de saneamento, por exemplo, já está investindo entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões por ano, acessando recursos via mercado. Há um grande potencial para atração de investimentos”, comentou.
Conclusão: um futuro sustentável
O presidente do Itaú BBA concluiu que a experiência adquirida com projetos como o Eco Invest pode servir de aprendizado para futuras iniciativas. A busca por soluções inovadoras e a colaboração entre o setor privado e o público são essenciais para alcançar uma transição climática eficaz e sustentável.
Dessa forma, o ‘blended finance’ não apenas representa uma oportunidade de alavancar investimentos, mas também um caminho para garantir que a transição climática ocorra de forma acelerada e eficiente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação Case








