Fundos imobiliários se destacam em captação no atual cenário econômico

Os fundos imobiliários captaram quase R$ 30 bilhões em 2025, destacando-se como alternativa à poupança.
FIIs em alta em 2025
As captações realizadas pelos fundos imobiliários (FIIs) já somam quase R$ 30 bilhões em 2025, destacando-se como uma alternativa promissora à caderneta de poupança, que enfrenta uma retração significativa. Os dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) indicam que, até o início de setembro, o total de ofertas públicas de FIIs alcançou R$ 52,5 bilhões, um montante superior ao mesmo período do ano anterior, quando foram captados R$ 45,7 bilhões. Esse crescimento reforça o papel dos FIIs como figuras cada vez mais relevantes no financiamento imobiliário.
Considerando apenas as ofertas já encerradas, os FIIs captaram R$ 29,6 bilhões até o momento, um valor menor do que os R$ 42,3 bilhões do ano anterior, mas que ainda pode ser ampliado com as ofertas em andamento.
O que está impulsionando as captações
O fundo Oportunidades Imobiliárias se destaca com quase R$ 3 bilhões em captações, seguido pelo TRX Real Estate (TRXF11), que captou R$ 1,251 bilhão. Especialistas do setor avaliam esse desempenho de forma positiva. Flávio Pires, analista sênior de FIIs do Santander, ressalta que, apesar do cenário desafiador de altos juros, as captações têm se mostrado robustas. “Considerando o cenário ainda desafiador para renda variável e para os FIIs, é um número bem forte”, afirma Pires.
A Selic, atualmente em 15% ao ano, tem promovido saques significativos da caderneta de poupança, que já ultrapassam R$ 60 bilhões neste ano. Essa situação é preocupante para o setor e abre espaço para novos players no financiamento imobiliário.
A evolução do financiamento imobiliário
A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) destaca que, em décadas passadas, a poupança era a principal fonte de financiamento do mercado imobiliário, mas esse cenário mudou. Sandro Gamba, presidente da Abecip, aponta que não há perspectivas de crescimento para a poupança nos próximos anos, o que cria uma necessidade urgente de novas fontes de funding.
Entre as alternativas, as Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e os FIIs estão se destacando. Alexandre Despontin, CEO da Mérito Investimentos, explica que, mesmo com a participação percentual dos FIIs estável entre 2024 e 2025, o valor absoluto cresceu de R$ 247 bilhões para R$ 272 bilhões, um incremento de 10%. “Os FIIs ganharão ainda mais atratividade em um cenário de queda de juros”, projeta Despontin.
O papel dos FIIs no mercado
Os recursos captados pelos FIIs são direcionados para a aquisição de imóveis e títulos relacionados, como cotas de outros FIIs e Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs). Esses títulos são utilizados por empresas do setor imobiliário para captar recursos, permitindo a conclusão de projetos. A crescente importância dos FIIs no financiamento imobiliário é evidente, com uma base de investidores que se aproxima de 3 milhões.
Ainda assim, especialistas alertam para os riscos associados a esses investimentos. Ricardo Vieira, diretor de Real Estate Brasil do Patria Investimentos, enfatiza a necessidade de uma análise cuidadosa dos papéis e a importância de evitar a concentração de investimentos em um único tipo de ativo. “Evitar ‘monoculturas’ é chave para a resiliência do produto”, recomenda.
André Nardi, sócio e gestor na Tellus, observa que, mesmo com os juros altos, os FIIs continuam captando recursos significativos, evidenciando sua consolidação como uma parte essencial do financiamento no Brasil. O futuro dos FIIs no financiamento imobiliário dependerá de um ambiente regulatório estável e de um aumento nas operações com incentivos sociais e de infraestrutura.
O avanço dos FIIs no mercado imobiliário não só beneficia o setor, mas também os investidores, que ganham acesso a ativos mais robustos e diversificados. O ambiente econômico atual, embora desafiador, apresenta oportunidades significativas para o crescimento dos fundos imobiliários, que se estabelecem como uma alternativa viável e atraente em um cenário de juros elevadíssimos.








