Pesquisadores analisam a complexidade da criminalidade no estado

Estudo revela como a disputa territorial entre facções e a política local moldam a violência no Rio de Janeiro.
Em 28 de outubro de 2025, a operação Contenção, focada no Comando Vermelho, se tornou a mais letal do Brasil, com mais de 120 mortos. Essa realidade reflete a complexa relação entre política e criminalidade no estado do Rio de Janeiro, conforme afirmam especialistas.
A disputa entre facções e a política local
A pesquisa revela que a disputa territorial entre grupos criminosos no Rio é intensificada por fatores políticos e corrupção. O Comando Vermelho é um dos grupos mais ativos, ao lado de milícias e do TCP (Terceiro Comando Puro), controlando aproximadamente 20% do Grande Rio. Esse cenário contrasta com São Paulo, onde o PCC detém um monopólio no crime organizado. Segundo Jonas Pacheco, do CESeC, a lógica do Comando Vermelho é mais agressiva, resultando em frequentes confrontos com a polícia.
O crescimento da violência e suas causas
Cecília Olliveira, do Instituto Fogo Cruzado, destaca que a abordagem atual de enfrentamento não tem barrado a expansão das áreas dominadas por facções. Desde 2021, o Rio viveu três grandes chacinas, evidenciando a escalada da violência e a luta por controle territorial. A ampliação do poder bélico dos grupos também é uma preocupação crescente, com altos investimentos em armamentos.
Comparação com São Paulo
Diferentemente do Rio, a política em São Paulo apresenta maior coesão entre grupos, o que contribui para uma organização criminosa mais estruturada. A professora Jacqueline Muniz explica que a formação de facções políticas no Rio desde a década de 1940 gerou uma multiplicidade de grupos criminosos, dificultando a ação do estado. As operações violentas, embora também ocorram em São Paulo, não apresentam a mesma complexidade territorial encontrada no Rio.
Conclusão
A situação no Rio de Janeiro reflete a profunda interconexão entre política e crime, onde a falta de um controle efetivo sobre os grupos armados perpetua um ciclo de violência. O estudo aponta que para enfrentar esses desafios, é necessária uma abordagem mais articulada, que considere as particularidades locais e a história da luta pelo poder.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








