Exposição no Museu das Favelas homenageia Frantz Fanon


Mostra apresenta obras que exploram o legado do intelectual martinicano até maio de 2026

Exposição no Museu das Favelas homenageia Frantz Fanon
Exposição no Museu das Favelas apresenta obras inspiradas em Frantz Fanon.

Museu das Favelas em São Paulo inaugura exposição sobre Frantz Fanon com mais de 130 obras.

Frantz Fanon e sua relevância no contexto atual

A nova exposição no Museu das Favelas, em São Paulo, traz à tona o pensamento do intelectual e psiquiatra martinicano Frantz Fanon (1925-1961). Composta por mais de 130 obras, a mostra é uma reflexão sobre os temas que permeiam a obra de Fanon, incluindo colonialismo, racismo e processos de libertação. A exposição está em cartaz até maio de 2026 e ocupa o segundo andar do museu, evidenciando a conexão entre o legado de Fanon e as práticas artísticas contemporâneas.

Estrutura da exposição

Dividida em quatro núcleos, a mostra aborda diferentes aspectos do pensamento fanoniano. O primeiro núcleo, intitulado “Anticolonialidade”, destaca obras que dialogam com a crítica de Fanon à modernidade colonial. Entre as peças, a pintura “Estamos Aqui como Quem Guarda o que Ainda Resta”, de Bruno Lyfe, representa figuras de mulheres negras em uma praia, confrontando navios coloniais, simbolizando a luta contra a opressão.

Outro destaque é a sala com vídeos da dupla Te Quiero Luna Grande, que foram produzidos na Espanha e em um campo de refugiados na Argélia. Um celular disponível ao público permite que os visitantes acessem fotos, cartas e vídeos trocados entre os artistas, ilustrando a luta cotidiana pela comunicação e resistência.

A relação entre território e identidade

No segundo núcleo, intitulado “Território”, as obras expõem como o ambiente e os contextos sociais moldam identidades e formas de resistência. A instalação “Terreiro Sonoro”, de Okan Kayma, é uma das interações mais envolventes, permitindo que os visitantes toquem e ouçam os sons dos chocalhos pendurados no teto. Já a pintura “Enxame”, de Robinho Santana, retrata Fanon, reforçando sua importância na discussão sobre identidade.

Corpo Psíquico: desumanização e resistência

O núcleo “Corpo Psíquico” é considerado pelos curadores como o mais denso da exposição. Este espaço inclui uma linha do tempo da vida de Fanon, contextualizando suas discussões sobre desumanização de negros, indígenas e árabes. A escultura “Nunca Foi a Primeira Opção”, de Flávio Cerqueira, apresenta um garoto finalizando a pintura de uma parede, aludindo à luta por reconhecimento e dignidade.

A radicalização da imaginação

O último núcleo, “A Radicalização da Imaginação”, traz uma atualização do pensamento fanoniano como uma potência criativa contemporânea. Entre as obras, estão as pinturas da série “Dialética do Salto”, de Matheus Abu, que retratam jovens em um ato de salto ao lado de garças, simbolizando a busca por liberdade. A sala também abriga esculturas de artistas como Rebeca Carapiá e O Tal do Ale, que abordam a continuidade histórica da violência contra corpos negros.

Conclusão: a experiência interativa

A visita à exposição culmina em uma instalação sonora inovadora. Sensores captam os movimentos dos visitantes, produzindo sons que interagem com a presença do público. Essa obra, segundo a curadora Thais de Menezes, reflete as experiências de pessoas que, imersas em contextos de repressão, sonham em estar livres e em movimento. A exposição no Museu das Favelas é, portanto, uma celebração do legado de Frantz Fanon e um convite à reflexão sobre questões contemporâneas de identidade e resistência.

Fonte: guia.folha.uol.com.br


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