Medida do governo americano levanta críticas por deixar de lado o país mais afetado pela epidemia

O novo plano de prevenção ao HIV de Trump exclui a África do Sul, levantando questões sobre suas motivações políticas.
Exclusão da África do Sul no plano de prevenção ao HIV de Trump
Em meio a cortes drásticos na assistência externa dos EUA, o governo Trump anunciou um novo programa para fornecer medicamentos de prevenção ao HIV, mas a decisão de excluir a África do Sul, o país mais afetado pela epidemia, gerou polêmica. Críticos afirmam que essa escolha reflete motivações políticas, especialmente após o presidente Donald Trump fazer alegações sobre a perseguição a brancos no país africano.
O novo plano, que introduziu o medicamento lenacapavir, já começou a ser implementado com doações a países como Eswatini e Zâmbia. Contudo, a África do Sul, que abriga cerca de um quinto da população global de pessoas vivendo com HIV, não receberá o medicamento, o que levanta questões sobre a política de assistência dos EUA. “Os Estados Unidos não contribuirão com doses para a África do Sul”, declarou Jeremy Lewin, funcionário do Departamento de Estado dos EUA.
Motivações políticas por trás da exclusão
A decisão de não fornecer o medicamento à África do Sul ocorre após Trump emitir uma ordem executiva em fevereiro que interrompeu toda a ajuda americana ao país. Essa ordem foi justificada com alegações de mau tratamento aos brancos, que especialistas consideram exageradas ou infundadas. Além disso, Trump, em reuniões recentes, reiterou suas críticas ao governo sul-africano, afirmando que suas políticas são inaceitáveis.
Sibongile Tshabalala, presidente da Treatment Action Campaign (TAC) na África do Sul, expressou preocupação com a política do governo dos EUA, afirmando que não é o momento de fazer política em questões de saúde. A exclusão da África do Sul do programa de lenacapavir é vista como uma grande perda, pois o país possui um sistema de saúde robusto que poderia absorver e distribuir o medicamento.
Implicações para a luta contra o HIV
A África do Sul, que possui quase 8 milhões de pessoas HIV-positivas, receberá algumas doses do medicamento através do Fundo Global de Combate à Aids, Tuberculose e Malária, mas a quantidade disponível é insuficiente para atender à demanda. O ministro da saúde sul-africano, Aaron Motsoaledi, alertou que a demanda provavelmente superará a oferta nos próximos anos.
Além disso, a exclusão da África do Sul do programa ilustra como a política externa de Trump pode estar minando os esforços para reduzir as infecções por HIV. Grupos de defesa da saúde afirmam que essa decisão pode desencorajar os avanços que estavam sendo feitos na luta contra a epidemia.
A meta de erradicação do HIV até 2030
Com a meta de reduzir as infecções por HIV globalmente em 90% até 2030, críticos argumentam que o governo Trump está contradizendo seus próprios objetivos. “Eles estão sabotando seus próprios esforços para derrotar novas infecções. Isso é cruel e contraproducente”, declarou Asia Russell, diretora da Health GAP, um grupo que defende o acesso ao tratamento do HIV.
Lewin, do Departamento de Estado, defendeu o plano, afirmando que o governo está avançando e espera atingir a meta de 2 milhões de doses até 2027. No entanto, a exclusão da África do Sul continua a gerar preocupações sobre a eficácia da política de assistência externa dos EUA e suas implicações para a saúde pública.
A situação na África do Sul é emblemática da complexidade da política de assistência externa dos Estados Unidos, que agora busca alinhar seus esforços humanitários com objetivos de política externa mais amplos. A luta contra o HIV/Aids requer uma abordagem colaborativa, e a exclusão de um dos países mais afetados pode comprometer os esforços globais para erradicar a epidemia.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Demetrius Freeman/The Washington Post








