Ex-ouvidor critica desfiguração de projeto antifacção em São Paulo


Benedito Mariano aponta mudanças que podem comprometer a segurança pública

Ex-ouvidor critica desfiguração de projeto antifacção em São Paulo
Painel

Ex-ouvidor Benedito Mariano critica mudanças no projeto antifacção, que pode se tornar uma lei antiterrorismo.

Ex-ouvidor critica mudanças no projeto antifacção

Benedito Mariano, ex-ouvidor das polícias de São Paulo, manifestou sua preocupação sobre o projeto antifacção, afirmando que o relator Guilherme Derrite (PP) desfigurou a proposta original do governo Lula. Mariano, que coordenou o programa de segurança durante a gestão de Lula, argumenta que as alterações feitas pelo relator transformam o projeto em uma lei antiterrorismo, o que pode ter consequências graves para a segurança pública no estado.

Mariano destaca que as mudanças feitas por Derrite não apenas deslocam a competência da Polícia Federal para as polícias estaduais, mas também legitimam ações violentas, semelhante ao que ocorre no Rio de Janeiro. Ele afirma: “Quer legitimar ações violentas como a do Rio de Janeiro”, criticando a maneira como o projeto está sendo reformulado. Além disso, ele expressa temores de que a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da Segurança Pública, uma das principais apostas do governo Lula na área, também seja desfigurada por emendas que alteram sua essência.

Propostas estruturantes para a segurança pública

Para enfrentar a crise de segurança, Mariano sugere a criação de uma Secretaria Especial de Segurança Pública, que estaria ligada diretamente à Presidência. Essa secretaria, segundo ele, poderia evoluir para um Ministério da Segurança Pública no eventual quarto mandato de Lula. Ele acredita que uma abordagem mais estruturante é necessária, que vá além de medidas pontuais e que trate a questão do crime organizado de maneira eficaz.

“A resposta para a crise deve ser estruturante, com ações de inteligência policial que permitam a retoma de territórios dominados pelo crime”, afirmou Mariano. Ele enfatiza a importância de atuar contra as lideranças do crime que não estão apenas nas favelas, mas também se escondem em áreas menos visíveis, exigindo uma abordagem mais sofisticada e estratégica.

O papel da inteligência policial

Mariano defende que o combate ao crime organizado deve ser feito com inteligência policial, que não se limita a operações de combate direto, mas inclui estratégias para asfixiar as lideranças que operam fora das áreas de conflito. Ele acredita que é fundamental que o governo reavalie suas estratégias e adote uma postura mais proativa e inteligente na luta contra o crime.

A desfiguração do projeto antifacção, conforme observou Mariano, pode ser vista como um retrocesso nas políticas de segurança pública, que já enfrentam grandes desafios no Brasil. O ex-ouvidor conclui que o país precisa de um plano sólido que realmente enfrente as questões de segurança e não apenas reaja a elas com soluções temporárias ou inadequadas.

A discussão sobre o projeto antifacção e suas implicações para a segurança pública em São Paulo continua a ser um tema de relevante interesse, especialmente em um momento em que a violência urbana e o crime organizado permanecem como grandes desafios para o governo e a sociedade.

Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br


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