Estudo revela movimento lento e rotacional de Portugal e Espanha


Pesquisa científica aponta que a Península Ibérica gira lentamente devido à pressão das placas tectônicas Eurasiática e Africana

Estudo revela movimento lento e rotacional de Portugal e Espanha
Mapa físico da Península Ibérica destacando a zona de deformação tectônica

Um estudo recente confirma que Portugal e Espanha giram lentamente devido à pressão das placas tectônicas da Eurásia e África.

O movimento tectônico da Península Ibérica e suas causas

O movimento tectônico na Península Ibérica tem sido objeto de investigação detalhada. O estudo recente, publicado na revista Gondwana Research e liderado por Asier Madarieta, da Universidade do País Basco (EHU), evidenciou que Portugal e Espanha estão girando lentamente no sentido horário. Essa rotação ocorre devido à pressão exercida entre as placas tectônicas Eurasiática e Africana, que se aproximam a uma taxa média de 4 a 6 milímetros por ano.

Zona de deformação complexa entre a Eurásia e a África

A região do Mediterrâneo ocidental, especialmente a zona entre o Golfo de Cádis e o mar de Alborão, caracteriza-se por ter um limite tectônico difuso e complexo. Diferente de falhas tectônicas bem definidas como a de San Andrés, esse limite apresenta múltiplas fraturas distribuídas e movimentos assimétricos. Essa configuração influencia diretamente o comportamento rotacional observado na Península Ibérica.

Metodologia do estudo: combinação de dados GNSS e sísmicos

Para analisar o movimento tectônico, os pesquisadores integraram dados de satélites GNSS, que medem deslocamentos crustais milimétricos, e registros sísmicos. Embora os dados precisos de satélite cubram um período desde 1999 e os registros sísmicos desde 1980, a análise unificada permitiu superar a limitação da janela temporal curta e observar tendências relevantes para a escala geológica atual.

Implicações geodinâmicas e riscos sísmicos locais

A rotação da Península Ibérica afeta as tensões geodinâmicas, especialmente na zona sudoeste, próxima ao Estreito de Gibraltar. Esse empurrão rotacional implica que a crosta da região não é rígida, apresentando deformações distribuídas em múltiplas estruturas menores. Essa dinâmica é crucial para identificar falhas ativas e avaliar o potencial de eventos sísmicos, mesmo considerando que a região não é a mais sísmica da Europa. O histórico, com eventos como o terremoto de Lisboa de 1755, reforça a importância do monitoramento contínuo.

Aplicações práticas para monitoramento e prevenção

O detalhamento do mapeamento tectônico permite a localização mais precisa de falhas ativas, especialmente em áreas sensíveis como os Pireneus Ocidentais e regiões entre Cádiz e Sevilha. Essa compreensão é vital para aprimorar estratégias de monitoramento sísmico e políticas de mitigação de riscos, contribuindo para a segurança das populações locais e infraestrutura crítica.

Conclusão

O estudo liderado por Asier Madarieta destaca o movimento lento, porém significativo, de rotação da Península Ibérica devido à interação das placas Eurasiática e Africana. Essa informação amplia o entendimento da dinâmica tectônica regional e reforça a necessidade de investigação contínua para avaliar riscos e preparar respostas adequadas a possíveis eventos geológicos futuros.

Fonte: noticias.uol.com.br


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