Análise revela que petroleiras contribuem marginalmente para energias renováveis

Pesquisas questionam a contribuição do petróleo para a transição energética global.
Estudos questionam defesa de que petróleo financiará transição energética
Na COP30, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs um fundo para financiar combustíveis limpos utilizando recursos provenientes da exploração de petróleo. No entanto, um estudo recente publicado na revista “Nature Sustainability” levanta sérias dúvidas sobre essa abordagem. Segundo a pesquisa coordenada por Marcel Llavero-Pasquina, as petroleiras respondem por apenas 1,42% da geração de energia renovável em todo o mundo.
A análise sugere que as iniciativas das empresas de petróleo e gás em energias renováveis são, na verdade, limitadas e momentâneas. Embora a indústria do petróleo tenha utilizado seu papel como potencial financiador da transição energética para justificar a ampliação da produção, a pesquisa aponta para um consenso científico que defende a redução do uso de combustíveis fósseis para mitigar os impactos da mudança climática.
A defesa do governo e suas implicações
O governo de Lula é um dos que apoiam a perfuração de poços exploratórios na costa da Amazônia, promovendo a ideia de que esses recursos poderiam financiar uma transição energética mais limpa. Contudo, o estudo revelou que apenas 20% das 250 petroleiras analisadas possuem projetos de energia renovável em operação, representando apenas 0,1% de sua produção total de energia primária.
Nos últimos anos, o setor de petróleo tem recuado em seus compromissos com energias renováveis, alegando a necessidade de garantir a produção de energia de forma acessível e segura, especialmente após a guerra na Ucrânia, que afetou o suprimento global de petróleo. Companhias como BP, Equinor e TotalEnergies reduziram seus orçamentos para energias renováveis, enquanto a Petrobras, no Brasil, ainda busca oportunidades de investimento em energias eólicas e etanol, mas sem concretizar negócios.
Destinação de recursos e desenvolvimento econômico
Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) indicam que o apoio para pesquisas em energias renováveis provenientes do setor de petróleo é ínfimo, com apenas 6% dos recursos da cláusula de inovação sendo direcionados a esse fim. Além disso, um estudo do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) apontou que dos R$ 108 bilhões arrecadados em royalties e bônus de concessão, uma parcela ínfima foi destinada ao desenvolvimento de projetos de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
Os dados também revelam que a transição energética tem sido ignorada, com gastos ambientais limitados a R$ 168,3 milhões, menos de 0,2% do total. Essa situação levanta preocupações sobre a verdadeira capacidade do setor de petróleo de contribuir para um futuro sustentável.
A falácia do desenvolvimento econômico
Além de questionar a contribuição do petróleo para a transição energética, o estudo do economista Jorge Amaro Bastos Alves, que analisou 67 cidades brasileiras que receberam royalties entre 1999 e 2017, concluiu que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) médio dessas cidades é 8,9% inferior ao de municípios que não receberam essas receitas. Em outra pesquisa, comparando cidades petroleiras do Brasil e do Texas, os dados mostraram que, apesar do aumento na renda, não houve redução da pobreza.
Conclusão
De acordo com o presidente do IBP (Instituto Brasileiro do Petróleo e Gás), Roberto Ardenghy, embora o setor esteja explorando novas tecnologias, a falta de expertise em segmentos consolidados como energia solar e eólica em terra é uma limitação. Ele destaca que a gestão dos recursos arrecadados deve ser aprimorada para garantir que realmente contribuam para um desenvolvimento econômico e social sustentável. A discussão sobre o papel do petróleo na transição energética continua, e a necessidade de uma governança eficaz se torna cada vez mais premente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal








