Escolas quilombolas do Paraná promovem integração e valorização cultural nas comunidades


Unidades educacionais fortalecem relação com o território e ampliam acesso à educação em áreas tradicionais do estado

Escolas quilombolas do Paraná promovem integração e valorização cultural nas comunidades
Instalações do Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira reforçam a presença educacional na comunidade. Foto: Arquivo Quilomba Maria Joana Ferreira

Escolas quilombolas do Paraná fortalecem o vínculo com as comunidades locais, promovendo a valorização cultural e ampliando o acesso à educação em regiões tradicionais.

Educação quilombola no Paraná fortalece pertencimento e cultura local

As escolas quilombolas do Paraná têm promovido uma integração profunda entre a educação e as comunidades tradicionais onde estão inseridas. Destacam-se o Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos, na comunidade João Surá em Adrianópolis, e o Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira, em Palmas. Essas instituições refletem a importância das escolas quilombolas do Paraná como espaços que fortalecem o sentimento de pertencimento e a valorização da identidade cultural, especialmente em territórios com dificuldades históricas de acesso e oferta educacional.

O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, enfatiza que reconhecer o território e construir ações educacionais junto à comunidade gera impacto social significativo. O colégio Diogo Ramos, por exemplo, surgiu de demandas locais em 2006 e iniciou suas atividades em 2009, atendendo hoje cerca de 24 alunos com um corpo efetivo de educadores e servidores. A escola substituiu trajetos longos e precários para continuidade dos estudos, reduzindo a distância e promovendo a permanência dos estudantes no ensino fundamental e médio.

Infraestrutura e políticas públicas ampliam acesso e qualidade do ensino

Em 2025, o Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos foi beneficiado pelo projeto Escola Mais Bonita, que investiu aproximadamente R$ 100 mil em reformas, como construção de pisos, instalação de ar-condicionado e melhorias no parque infantil. Essas ações ampliaram as condições de ensino e o conforto dos estudantes, reforçando a infraestrutura em uma região de difícil acesso.

Além da estrutura física, a Secretaria de Estado da Educação investe em políticas públicas que garantem a permanência dos alunos, como a distribuição de alimentos respeitando as tradições locais. Em 2025, cerca de 16 toneladas foram destinadas às duas escolas quilombolas, e em 2026 já foram entregues mais de 2 toneladas, totalizando aproximadamente 1500 refeições diárias. O cardápio inclui ingredientes tradicionais, como banha de porco, e alimentos provenientes da agricultura familiar quilombola, valorizando a cultura alimentar e garantindo a segurança nutricional dos estudantes.

Gestão participativa e envolvimento comunitário na educação escolar quilombola

A diretora Cassiane Aparecida de Matos, primeira gestora quilombola do Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos desde 2021, destaca que a escola é resultado de uma mobilização histórica da comunidade aliada ao apoio governamental. O planejamento pedagógico é elaborado em conjunto com moradores, lideranças e representantes locais, assegurando que o calendário escolar contemple datas simbólicas, celebrações religiosas e ações voltadas à ancestralidade quilombola.

A escola também funciona como um espaço comunitário, abrigando reuniões, atividades culturais e oferecendo acesso a equipamentos que contribuem para o desenvolvimento do território. Essa aproximação entre escola e comunidade fortalece a educação pública e valoriza a identidade cultural, atendendo às necessidades específicas da população quilombola.

Especificidades pedagógicas que respeitam saberes e tradições quilombolas

A educação nas escolas quilombolas do Paraná segue propostas pedagógicas e formação continuada alinhadas à Base Nacional Comum Curricular, respeitando a especificidade étnico-cultural das comunidades. O Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira, que atende 211 estudantes na comunidade Adelaide Maria da Trindade Batista, exemplifica essa abordagem.

As unidades promovem oficinas culturais, rodas de conversa e projetos voltados à memória local e valorização dos saberes tradicionais, frequentemente conduzidos por lideranças comunitárias, artesãos e anciões. Essa metodologia fortalece a identidade dos alunos e contribui para a preservação cultural, integrando a educação formal com as tradições quilombolas.

Impactos sociais e perspectivas futuras da educação quilombola no estado

O fortalecimento das escolas quilombolas no Paraná representa um avanço importante na inclusão social e educacional de comunidades historicamente marginalizadas. A articulação entre a escola, as famílias e o território potencializa o desenvolvimento coletivo, promovendo a cidadania e enchendo de significado o processo educativo.

Investimentos em infraestrutura, alimentação adequada e gestão participativa indicam uma política pública comprometida com os direitos das comunidades quilombolas. O desenvolvimento dessas escolas serve como modelo para outras regiões e contribui para consolidar a diversidade cultural e étnica no sistema educacional estadual.

Fonte: www.parana.pr.gov.br

Fonte: Arquivo Quilomba Maria Joana Ferreira


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