Laiz Carvalho, do BNP Paribas, destaca a necessidade de inclusão e mentoria para mulheres negras

Laiz Carvalho alerta sobre a falta de mulheres negras em posições de destaque no mercado financeiro brasileiro.
A escassez de mulheres negras no mercado financeiro
A escassez de mulheres negras no mercado financeiro é um tema que preocupa Laiz Carvalho, economista-chefe do BNP Paribas. Com 35 anos e um mestrado em economia pela USP, Carvalho foi uma das pioneiras em ocupar esse cargo em uma instituição financeira no Brasil. Ela ressalta que a falta de representatividade é um problema sério e que, caso ela e outros poucos economistas negros deixem suas posições, a probabilidade de um homem branco ocupar seu lugar é alta.
A trajetória de Laiz Carvalho
Laiz Carvalho se destacou no mercado financeiro ao trabalhar em instituições como Santander, BTG e Goldman Sachs. Reconhecida pela revista Forbes como uma das mulheres mais poderosas do Brasil em 2025, ela refuta a ideia de ser vista como parte de uma “jornada do herói”. Em vez disso, quer focar em como garantir que haja mais mulheres negras em posições de destaque.
“Eu quero falar sobre de que maneira vamos garantir que teremos outras ‘Laizes’ nesse mundo”, afirma. A economista observa que, atualmente, há uma escassez de mulheres negras em posições de liderança, e isso deve ser abordado com urgência.
A iniciativa Black Swan
Para ajudar a mudar essa realidade, Laiz fundou a Black Swan em 2021, uma iniciativa que oferece mentoria para mulheres negras que desejam entrar ou se desenvolver no mercado financeiro. Ela acredita que esse ambiente é predominantemente masculino e branco, o que dificulta o acesso e a permanência das mulheres negras.
“As mulheres negras enfrentam enormes desafios para se inserir e se manter no mercado financeiro. Muitas não têm acesso às informações sobre como entrar, e as que conseguem, muitas vezes se sentem isoladas e sem suporte”, explica Carvalho.
A Black Swan já conta com cerca de 150 participantes, mas a redução da demanda por mulheres negras no mercado financeiro impactou a continuidade dos serviços oferecidos. “Precisamos de doações para manter os treinamentos, pois as empresas estão cada vez menos interessadas em promover a diversidade”, destaca.
O impacto das políticas de diversidade
Carvalho também observa que a promoção de diversidade e inclusão nas empresas varia conforme o contexto econômico e político. Após o assassinato de George Floyd em 2020, houve um aumento temporário nas iniciativas de diversidade, que agora estão sendo substituídas por um foco em sustentabilidade.
“Os interesses empresariais mudam com os ciclos. O que precisamos é de uma aliança entre as minorias e as pessoas em posições de poder que possam ajudar a abrir portas”, afirma. Para ela, a verdadeira mudança só ocorrerá quando as mulheres negras e outras minorias estiverem cercadas por pessoas que ocupam posições de poder e influência.
Conclusão
Laiz Carvalho é um exemplo de liderança no mercado financeiro e suas preocupações refletem uma realidade que precisa ser abordada com urgência. A escassez de mulheres negras em posições de destaque não é apenas uma questão de diversidade, mas uma questão de justiça e equidade no mercado de trabalho. Através de iniciativas como a Black Swan, ela busca criar um futuro mais inclusivo e representativo para as próximas gerações.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Ramede Felix/Divulgação








