Erros no combate ao crime organizado expostos por operação letal


Especialistas criticam abordagem da segurança pública após 121 mortes no Rio

Erros no combate ao crime organizado expostos por operação letal
Foto: Folhapress

Após 121 mortes em operação no Rio, especialistas apontam falhas no modelo de combate ao crime organizado.

Em Rio de Janeiro, 29 de outubro de 2023, a operação policial mais letal da história da segurança pública brasileira deixou 121 mortos, incluindo quatro policiais. Especialistas criticam essa abordagem, afirmando que não é o caminho correto para enfrentar organizações criminosas. Pesquisadores em segurança pública apontam a necessidade de um trabalho mais intensivo de inteligência e um foco nas fontes de recursos do crime organizado, que atualmente abrangem mercados legais e ilegais.

Críticas ao modelo de combate

Os especialistas defendem maior colaboração entre o governo federal e os estados, além da coordenação entre diferentes instituições ligadas à Justiça criminal e à segurança pública. Carolina Grillo, coordenadora do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni) da Universidade Federal Fluminense, destaca que o modelo atual de combate armado em áreas vulneráveis não tem trazido resultados significativos. Ao contrário, resulta em mais mortes e em um aumento do controle territorial por grupos como o Comando Vermelho.

Importância da inteligência no combate

Contrariando a afirmação do secretário de Segurança da Polícia Civil do Rio, que relacionou um aumento da inteligência a mais confrontos, Robson Rodrigues, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, argumenta que, na verdade, mais inteligência pode reduzir os conflitos. Ele cita a operação Carbono Oculto, que conseguiu desmantelar atividades do crime organizado sem disparar um único tiro, como um exemplo de sucesso na utilização de inteligência.

Desafios e propostas para a segurança

Os especialistas concordam que as operações devem focar em desmantelar o esquema financeiro das organizações criminosas, que operam em diversos setores, incluindo negócios legais. Julita Lemgruber, socióloga e ex-ouvidora da polícia do Rio, enfatiza que a fiscalização de mercados legais pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a influência das facções. Para eles, é essencial investir em programas de prevenção à violência e garantir a presença constante das forças de segurança nas comunidades afetadas, em vez de ações pontuais e violentas.

As críticas à operação letal no Rio de Janeiro revelam a necessidade urgente de uma reforma na abordagem de combate ao crime organizado, priorizando a inteligência e a cooperação interinstitucional.

Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br


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