Candidata é alocada em escola sem acessibilidade e enfrenta dificuldades durante o exame

Aluna cadeirante foi impedida de usar banheiro durante prova do Enem por erro de alocação em escola sem acessibilidade.
Erro no local de prova do Enem afeta aluna com deficiência
No último domingo (9), durante a aplicação do primeiro dia do Enem, uma aluna cadeirante, Sofia Crispim Soares, 20, enfrentou uma situação constrangedora e perigosa devido à falta de acessibilidade na escola onde foi alocada. Apesar de ter indicado sua necessidade de acessibilidade na inscrição, ela foi direcionada a uma escola sem elevador ou rampas, o que impossibilitou seu acesso ao banheiro durante as oito horas de prova.
A situação de Sofia e a falta de acessibilidade
Sofia, que possui paralisia cerebral, já havia prestado o exame em outras edições sem problemas, uma vez que seus laudos médicos e solicitações de suporte foram sempre aceitos. No entanto, desta vez, o Inep, órgão responsável pela aplicação do Enem, cometeu um erro crítico. Ao chegar à Escola Estadual Professor Newton Espírito Santo Ayres, em Osasco, mãe e filha se depararam com uma escada de mais de 15 degraus na entrada principal da escola. A alternativa sugerida, uma entrada pelos fundos, também apresentava escadas, o que obrigou que Sofia fosse carregada por aplicadores para conseguir acessar a sala de prova.
Denise Crispim, mãe de Sofia, expressou sua indignação: “Além do transtorno, havia o risco de ela se machucar. Essa situação é inaceitável para qualquer candidato, mas especialmente para uma pessoa com deficiência”. Após a entrada, Sofia ainda foi avisada de que não poderia usar o banheiro, pois não havia acessibilidade para ela. Ela chegou ao local às 12h e deveria permanecer até às 19h30, já que pessoas com deficiência têm direito a uma hora extra de prova.
A resposta do Inep e os próximos passos
Após a repercussão do caso, o Inep se manifestou, afirmando que notificou a empresa responsável pela aplicação do exame, o Cebraspe, e que a estudante poderá fazer a prova em uma nova data, 16 de dezembro. Além disso, será realocada para um local acessível no próximo domingo (16 de novembro).
Denise Crispim, no entanto, não se sente satisfeita com a resposta. “Vamos denunciar o Inep ao Ministério Público. Não estamos pedindo vantagens, apenas um tratamento digno, que todos os alunos têm direito”. Ela enfatizou que o número de alunos que solicitaram atendimentos especiais é significativo, mas a estrutura disponível muitas vezes não atende às necessidades básicas.
Reflexão sobre a inclusão e acessibilidade no Brasil
No total, mais de 4,8 milhões de candidatos se inscreveram para o Enem deste ano, dos quais cerca de 165 mil solicitaram algum tipo de atendimento especial. Apenas cerca de 7.700 indicaram a necessidade de fazer a prova em sala de fácil acesso. Essa situação evidencia a carência de infraestrutura adequada para garantir a inclusão de pessoas com deficiência no sistema educacional.
“O Brasil oferece tão poucas chances para pessoas com deficiência estudarem e, quando alguém consegue concluir o ensino médio, ainda enfrenta dificuldades. É muito despreparo e humilhação para essa população”, conclui Denise.
O caso de Sofia é um retrato da luta por direitos e inclusão, mostrando que ainda há muito a ser feito para garantir que todos tenham acesso igualitário às oportunidades educacionais.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Denise Crispim/Arquivo pessoal








