Gigantes do setor buscam gás natural para atender à crescente demanda energética

Após dez anos do Acordo de Paris, empresas de energia voltam a investir em combustíveis fósseis, buscando gás natural para equilibrar suas operações.
Combustíveis fósseis em foco: um retorno inesperado
No dia 17 de novembro de 2025, a TotalEnergies, uma das líderes globais no setor de energia, anunciou a aquisição de uma participação de 50% em usinas de geração movidas a gás natural, investimento que soma 5,1 bilhões de euros (aproximadamente R$ 31,4 bilhões). Este movimento é emblemático do retorno das empresas de energia à aposta em combustíveis fósseis, uma trajetória que parecia ter sido abandonada após a assinatura do Acordo de Paris, há uma década. A crescente demanda por energia e a dificuldade das fontes renováveis em atender a esta demanda estão levando o setor a reavaliar suas estratégias.
A necessidade de estabilidade no fornecimento de energia
As novas usinas adquiridas pela TotalEnergies, situadas no Reino Unido, Itália, Holanda, Irlanda e França, são vistas como uma forma de equilibrar o portfólio da empresa, que já conta com investimentos em energia renovável, como parques eólicos e solares. Segundo Patrick Pouyanné, CEO da TotalEnergies, a combinação de gás e renováveis se torna essencial para garantir uma oferta de energia “limpa e firme”, especialmente em um cenário onde a geração solar e eólica é intermitente.
Mudanças na política energética europeia
Historicamente, a Europa tem sido mais agressiva na busca por metas climáticas, mas a pressão para garantir um fornecimento estável de energia está alterando essa postura. Países como a Alemanha, conhecidos por suas políticas verdes, estão revendo suas decisões e investindo em usinas a gás. Essa mudança é percebida como uma resposta às dificuldades enfrentadas na transição energética e à necessidade de garantir a segurança no fornecimento de energia, especialmente após a invasão da Ucrânia pela Rússia e a subsequente redução do gás natural proveniente desse país.
O impacto da política americana
Além das mudanças internas, as empresas também estão influenciadas por políticas externas, como a postura do governo Trump, que, ao abandonar compromissos climáticos, está levando países europeus a reconsiderar suas próprias abordagens. A Exxon Mobil, por exemplo, firmou um acordo de exploração de petróleo e gás na Grécia, sinalizando uma nova fase de colaboração entre os EUA e a Europa no setor energético.
O futuro da energia na Europa
Enquanto as empresas de energia se adaptam a essa nova realidade, a Energean, uma produtora de petróleo e gás, observa atentamente as mudanças nas políticas europeias. Com a Itália flexibilizando restrições à perfuração, a indústria de hidrocarbonetos pode ver uma revitalização. A necessidade de produção local de gás natural e petróleo se torna cada vez mais evidente à medida que os países buscam garantir sua segurança energética frente a crises globais.
Diante desse cenário, as empresas de energia estão reavaliando suas estratégias, buscando um equilíbrio entre investimentos em energias renováveis e a necessidade de combustíveis fósseis para garantir a estabilidade no fornecimento energético. O futuro das políticas energéticas na Europa e sua capacidade de atender à demanda crescente sem comprometer os objetivos climáticos ainda está em aberto, mas a tendência é clara: a transição energética será mais complexa do que o inicialmente esperado.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Desiré Van Den Berg/The New York Times








