Drauzio Varella defende morte assistida com base em transplantes


Médico destaca a importância da autonomia no fim da vida e compara com a evolução dos transplantes no Brasil

Drauzio Varella defende morte assistida com base em transplantes
Drauzio Varella discute a morte assistida. Foto: Masao Goto Filho/Estúdio Folha

Drauzio Varella integra movimento pela legalização da morte assistida, defendendo que a sociedade deve discutir o tema.

Drauzio Varella e o Movimento pela Morte Assistida

O médico e escritor Drauzio Varella, aos 82 anos, passou a integrar o movimento pela legalização da morte assistida no Brasil, que é liderado pela associação civil Eu Decido. Este grupo conta com mais de cem profissionais de diversas áreas, incluindo médicos, juristas, psicólogos e artistas. A adesão de Varella coincide com a entrada do Brasil na World Federation Right to Die Societies, uma organização que reúne nações que discutem a autonomia no fim da vida. A prática da morte assistida é atualmente permitida em 16 países e 11 estados americanos, com outros quatro países em vias de legalização.

A Necessidade de Debate Ético

Varella, que tem uma longa trajetória lidando com a morte em sua prática médica, argumenta que a lacuna ética brasileira em relação ao tema já ultrapassou o limite do razoável. Segundo ele, “Prolongamos sofrimentos que não fazem sentido. Precisamos enfrentar esse dilema”. O médico defende que toda pessoa adulta e capaz deve ter o direito de decidir sobre seus cuidados de saúde e, em casos de sofrimento insuportável, determinar como e quando deseja morrer. Ele ressalta a importância de ter mecanismos sociais e legislação que permitam essa autonomia.

Comparação com Transplantes de Órgãos

A maturidade da sociedade para discutir a morte assistida, segundo Varella, virá com um debate qualificado, similar ao que ocorreu com os transplantes de órgãos. Ele afirma que o Brasil conseguiu estabelecer um sistema justo e bem conduzido para transplantes, e que esse mesmo cuidado deve ser aplicado ao debate sobre a morte assistida. Varella acredita que o envelhecimento acelerado da população e o aumento de casos de demência tornam a discussão ainda mais urgente, pois muitas pessoas vivem sem condições humanas adequadas.

Exemplos e Reflexões sobre o Fim da Vida

Varella compartilha experiências pessoais que o levaram a refletir sobre o direito à morte assistida. Ele menciona o caso do poeta Antonio Cicero, que optou por uma clínica de suicídio assistido na Suíça após ser diagnosticado com Alzheimer. Para Varella, essa situação é um exemplo de como a legislação atual força pessoas a buscar alternativas fora do país, o que ele considera uma violência. O médico também discute as dificuldades enfrentadas por pacientes que chegam a solicitar a morte, destacando que essas solicitações são raras e geralmente feitas em plena lucidez.

A Importância dos Cuidados Paliativos

Varella também enfatiza que a morte assistida deve caminhar lado a lado com a ampliação dos cuidados paliativos. Muitas vezes, as pessoas desejam morrer não porque a vida perdeu sentido, mas devido a dores insuportáveis. O médico defende que, se a dor for controlada, muitas pessoas podem aguardar mais tempo. No entanto, essas decisões devem ser tomadas enquanto a pessoa ainda possui lucidez, evitando que a família enfrente dilemas cruéis.

Legislação e Maturidade Social

Varella acredita que o Brasil tem potencial para aprovar uma lei sobre a morte assistida, desde que haja um debate aberto e informações claras. Ele argumenta que, assim como a sociedade criou regras justas para os transplantes, o mesmo pode ser feito para a morte assistida, com legislações que impeçam abusos e protejam os vulneráveis. Para ele, o direito de decidir sobre a própria morte deve ser respeitado, e todos devem ter a opção de sair da vida de maneira digna.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Masao Goto Filho/Estúdio Folha


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