Documentário investiga uso de psicodélicos para veteranos de guerra


Filme expõe promessas e controvérsias sobre ibogaína e veneno de sapo para tratamento de traumas

Documentário investiga uso de psicodélicos para veteranos de guerra
Cena do documentário 'No Mar e na Guerra'.

Filme analisa o uso de ibogaína e veneno de sapo para tratar veteranos com estresse pós-traumático.

Documentário revela promessas e riscos de psicodélicos para veteranos

O documentário ‘No Mar e na Guerra’, disponível na Netflix, aborda o uso de ibogaína e veneno de sapo como tratamentos para veteranos de guerra que sofrem de estresse pós-traumático. O filme apresenta dados alarmantes sobre a mortalidade entre ex-combatentes, com um número de suicídios muito superior ao de mortes em combate. Ao longo do filme, o protagonista, Marcus Capone, narra sua jornada em busca de cura após ser incentivado por sua esposa a buscar tratamentos alternativos no México.

A busca por alternativas terapêuticas

Capone, um ex-fuzileiro naval, recorre à clínica Ambio no México, onde é tratado com ibogaína e 5-MeO-DMT, uma substância derivada da secreção do sapo Incilius alvarius. A ibogaína, que tem sido utilizada com alguma eficácia no tratamento de dependência química, é apresentada no documentário como um potencial tratamento para o estresse pós-traumático. O filme relata a transformação de Capone, que se torna um defensor do tratamento após experimentar melhorias significativas em sua saúde mental.

Dados alarmantes sobre veteranos

O documentário inclui uma declaração impactante do almirante Brian Losey, que revela que, entre 2001 e 2021, quatro vezes mais veteranos se suicidaram do que aqueles que morreram em combate. Os números são chocantes: 30.177 suicídios contra 7.057 mortes em combate. Essa estatística serve como pano de fundo para a narrativa do filme, que busca explorar a profundidade dos traumas enfrentados por esses homens e mulheres.

A controvérsia científica

Apesar das experiências positivas relatadas por alguns veteranos, o filme não ignora a falta de evidências científicas robustas que sustentem o uso de ibogaína e 5-MeO-DMT como tratamentos. A antropóloga Bia Labate, entrevistada no filme, ressalta que não há respaldo em tradições indígenas para o uso combinado dessas substâncias e que a falta de estudos clínicos controlados é uma preocupação válida.

Desafios éticos e legais

Além das questões científicas, o filme também aborda os desafios éticos e legais que envolvem o uso de psicodélicos no tratamento de problemas de saúde mental. Enquanto a ibogaína é utilizada em clínicas no México, sua legalidade nos Estados Unidos ainda é uma questão polêmica. O contraste entre os tratamentos oferecidos em ambientes controlados e os realizados em clínicas não regulamentadas é uma preocupação que o documentário levanta.

Reflexões sobre a saúde mental e o futuro

‘No Mar e na Guerra’ não apenas destaca a luta de veteranos, mas também provoca uma reflexão mais ampla sobre o papel dos psicodélicos na saúde mental contemporânea. Com o crescente interesse em terapias alternativas, o filme pode servir como um catalisador para discussões sobre a regulamentação e o futuro do tratamento de transtornos mentais. A necessidade de mais pesquisa é evidente, e a esperança é que essas substâncias possam um dia ser integradas a tratamentos convencionais de forma segura e eficaz.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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