Divisões entre cristãos sobre a assunção de Maria após 75 anos do dogma


Entenda como a figura da mãe de Jesus continua a gerar controvérsias entre diferentes tradições cristãs

Divisões entre cristãos sobre a assunção de Maria após 75 anos do dogma
Proclamação do dogma da Assunção de Maria completa 75 anos. Foto: Domínio Público

A assunção de Maria gera debates entre cristãos, 75 anos após ser oficializada como dogma.

O dogma da Assunção de Maria e suas controvérsias

Proclamado em 1950, o dogma da Assunção de Maria, que afirma que a mãe de Jesus foi elevada ao céu de corpo e alma, ainda gera divisões entre cristãos. A figura de Maria, central na fé católica, continua a ser debatida, especialmente entre diferentes tradições cristãs. A consulta do papa Pio 12 a bispos de todo o mundo antes da proclamação do dogma reflete um esforço para integrar a opinião popular, mas a divisão permanece.

O contexto histórico da proclamação

A declaração de Pio 12 foi feita através de uma constituição apostólica, sendo a última vez que a Santa Sé proclamou um dogma. Desde os primeiros séculos, a questão sobre o destino de Maria após sua vida terrena foi debatida, já que os textos bíblicos não abordam diretamente seus últimos dias. Para muitos teólogos, a mãe de Jesus não poderia ter um fim comum, pois sua natureza estava isenta do pecado.

Reflexões teológicas

Segundo a cientista da religião Wilma Steagall De Tommaso, a crença na assunção de Maria não é nova, mas sim uma reflexão que se desenvolveu ao longo dos séculos. Teólogos como Raylson Araujo destacam que, apesar do dogma ter sido promulgado como uma verdade de fé, a discussão teológica sobre a morte de Maria e o modo como ela foi alçada ao céu continua em aberto. Para os ortodoxos, Maria teria morrido e sua alma levada por Jesus, enquanto os católicos ocidentais defendem que ela foi levada ao céu sem passar pela morte.

A perspectiva protestante

Os cristãos protestantes, por sua vez, têm uma visão divergente sobre a figura de Maria e a assunção. Para eles, a Bíblia é a única autoridade, e muitos consideram a devoção mariana excessiva. O teólogo Valdir Steuernagel explica que, no Brasil, essa visão crítica se consolidou devido à formação católica do país, mas observa que há uma mudança nesse entendimento.

O papel de Maria na Igreja Católica

Na perspectiva católica, Maria ocupa um lugar único, sendo vista como um meio-termo entre o divino e o humano. Essa posição gera desconforto entre os protestantes, que reconhecem sua importância histórica, mas não aceitam a adoração que lhe é atribuída. A veneração mariana é um tema delicado, com a Igreja católica insistindo na distinção entre a veneração a Maria e a adoração devida a Deus.

Conclusão

Assim, a figura de Maria, especialmente em relação ao dogma da Assunção, continua a ser um ponto de tensão e debate entre diferentes tradições cristãs, refletindo a diversidade de interpretações e crenças dentro do cristianismo.

A assunção de Maria, como última ‘verdade de fé’ oficializada pela Igreja, ilustra as complexidades da teologia cristã e a busca por compreender a figura de um dos personagens mais venerados do cristianismo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Domínio Público


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