Divisão entre dirigentes do Fed sobre cortes de juros em dezembro


Ata revela opiniões divergentes sobre a política monetária e a necessidade de cortes

Divisão entre dirigentes do Fed sobre cortes de juros em dezembro
Reunião do Fed discute cortes de juros. Foto: Reuters

Dirigentes do Fed estão divididos sobre cortes de juros em dezembro, conforme ata da reunião de outubro.

Na última reunião do Federal Reserve, realizada em outubro, os integrantes do comitê de política monetária expressaram opiniões fortemente divergentes sobre o corte de juros em dezembro. Esse cenário foi evidenciado pela ata divulgada nesta quarta-feira (19), refletindo a crescente cisão entre os dirigentes em relação ao custo do crédito.

A ata destaca que, durante as discussões sobre a política monetária a curto prazo, os participantes demonstraram divergências sobre a decisão mais apropriada para a próxima reunião do comitê. As autoridades do Fed se mostram divididas em relação à necessidade de um terceiro corte de juros neste ano, enquanto a inflação continua a apresentar um aumento gradual e o mercado de trabalho enfrenta fragilidades.

A complexidade da decisão é acentuada pela recente suspensão da divulgação de dados de emprego, uma vez que o Bureau of Labor Statistics não conseguiu coletar informações devido ao shutdown. Isso significa que os dirigentes não terão acesso a dados atualizados até a reunião de 9 e 10 de dezembro, dificultando uma avaliação precisa da situação econômica.

Em outubro, o Fomc já havia reduzido os juros em 0,25 ponto percentual pela segunda vez no ano, mas essa votação revelou uma divisão incomum entre os membros. Enquanto um participante propôs um corte mais agressivo de 0,50 ponto, outros defenderam a manutenção da taxa inalterada.

O presidente do Fed, Jerome Powell, em coletiva após a reunião, enfatizou que a decisão de dezembro não seria uma conclusão antecipada. Embora a maioria dos participantes tenha indicado que novos cortes na taxa básica poderiam ser apropriados, alguns expressaram a opinião de que poderia ser cedo demais para um novo corte, dependendo da evolução da economia nas semanas seguintes.

Os integrantes mais “hawkish” do comitê, como o presidente do Fed de Kansas City, Jeff Schmid, argumentam que a inflação, atualmente em 3%, ainda é alta, enquanto o crescimento econômico se mostrou surpreendentemente resiliente. Por outro lado, os membros mais “dovish” sustentam que a fraqueza do mercado de trabalho justifica mais um corte.

A recente incerteza também se deve ao fechamento do governo, que atrasou a divulgação de relatórios essenciais. A falta de dados confiáveis levou a algumas vozes dentro do comitê a adotarem uma postura mais cautelosa até que o cenário econômico se torne mais claro.

Além disso, a probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto em dezembro caiu de quase certa para cerca de 30% ao longo do último mês, indicando um aumento nas dúvidas entre os investidores de Wall Street sobre a continuidade da redução das taxas de juros. Essa mudança de perspectiva reflete a necessidade de uma análise mais cautelosa e fundamentada, considerando o panorama econômico atual.

Por fim, a situação revela um cenário complexo para o Federal Reserve, onde a necessidade de equilibrar o crescimento econômico e a inflação é mais desafiadora do que nunca, exigindo decisões estratégicas em um contexto de incerteza.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Reuters


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