Pesquisa indica que a variação morfológica dos cães domésticos começou a se destacar há milênios

Estudo revela que cães já apresentavam variação morfológica significativa há 8.000 anos.
Diversidade de formas nos cães remonta a 8.000 anos
A diversidade de formas nos cães já era visível há 8.000 anos, conforme aponta um estudo recente. Essa investigação, liderada por Allowen Evin da Universidade de Montpellier, foi publicada na revista Science e aborda a morfologia dos crânios caninos ao longo dos últimos 50 mil anos.
Transformações na morfologia canina
As mudanças na estrutura do esqueleto que possibilitaram a transformação dos lobos em cães domésticos começaram há pouco mais de 10 mil anos, no final da Era do Gelo. Apesar das raças contemporâneas terem se desenvolvido principalmente a partir de cruzamentos do século XIX, o estudo revela que a diversificação de formas já tinha se iniciado bem antes, indicando um desenvolvimento significativo na variabilidade morfológica dos cães.
Metodologia do estudo
Para realizar a pesquisa, os cientistas analisaram 643 crânios de cães, abrangendo uma faixa temporal que vai de 50 mil anos atrás até os dias atuais. Utilizando a morfometria geométrica, uma técnica que analisa as diferenças em objetos complexos, os pesquisadores conseguiram mapear alterações significativas na morfologia craniana dos caninos. Essa técnica permitiu quantificar as mudanças morfológicas ao longo do tempo, permitindo uma comparação detalhada entre cães e lobos.
A comparação entre cães e lobos
Os resultados mostraram que a variabilidade dos cães modernos é substancialmente maior do que a dos lobos contemporâneos e dos caninos do Pleistoceno. Alguns cães, como o pastor-alemão e o mastim-tibetano, apresentam crânios que poderiam ser confundidos com os de lobos, mostrando a complexidade da evolução canina. O estudo também destaca que a morfologia canina domesticada começou a emergir na Rússia há cerca de 11 mil anos, coincidente com dados genéticos que sugerem o início das primeiras linhagens de cães domesticados.
Implicações da pesquisa
O estudo sugere que a variabilidade morfológica nos cães já era significativa há 8.000 anos, refletindo uma adaptação a diferentes ambientes e funções que os seres humanos atribuíam a eles. Essa diversidade de formas pode ter se intensificado devido à seleção natural e ao uso variado dos cães ao longo do tempo. Contudo, a pesquisa não estabelece se o marco de 11 mil anos realmente representa o início da domesticação, pois o processo pode ter sido gradual e complexo.
Conclusões e futuros estudos
Embora a pesquisa tenha avançado no entendimento da domesticação dos cães, ainda existem muitas questões a serem exploradas. A análise de novos fósseis e mais estudos sobre a morfologia canina poderão oferecer respostas adicionais sobre a evolução dessas criaturas, que continuam a ser os mais antigos companheiros da humanidade. É um campo de pesquisa promissor que pode esclarecer ainda mais a relação entre humanos e cães ao longo da história.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Universidade de Exeter








