Diplomatas brasileiros denunciam assédio e estafa na COP30


Funcionários do Itamaraty relatam jornadas exaustivas e falta de compensação no evento em Belém.

Diplomatas brasileiros denunciam assédio e estafa na COP30
Diplomatas trabalham em condições adversas durante a COP30. Foto: Governo Federal

Diplomatas se queixam de jornadas exaustivas e assédio institucional durante a COP30 em Belém.

Diplomatas brasileiros relatam estafa e assédio institucional na COP30

Funcionários do Itamaraty estão enfrentando jornadas de trabalho extenuantes de até 16 horas diárias durante a COP30, que ocorre em Belém. Segundo o Sindicato dos Diplomatas Brasileiros, essa situação levou a um aumento significativo de atestados médicos entre os servidores.

O sindicato recebeu dezenas de queixas que serão apresentadas ao Ministério Público do Trabalho. De acordo com a entidade, os diplomatas não estão recebendo o devido descanso semanal, folgas ou compensações pelas horas extras trabalhadas. Em resposta, o Itamaraty afirmou que, devido à natureza dos eventos multilaterais, as jornadas de trabalho são intensificadas e que as horas extras serão pagas.

Condições de trabalho precárias

Além da carga horária excessiva, os diplomatas relatam que parte das horas extras não está sendo registrada. O Itamaraty impõe um limite de 10 horas diárias nos controles de ponto, o que resulta em “horas invisíveis” que não são contabilizadas para compensação. Um diplomata anônimo compartilhou que trabalhou 14 dias consecutivos em Belém, numa preparação intensa para a Cúpula dos Líderes, enfrentando deslocamentos cansativos de um barco distante do evento.

Estes trabalhadores se sentem pressionados a não se ausentarem de suas funções, mesmo quando necessitam de descanso. “Nunca vi escalas de horário como as que estamos enfrentando agora”, comentou o diplomata, que destacou a falta de rodízio nas equipes, obrigando todos a permanecer em regime de plantão contínuo.

Impacto na carreira dos diplomatas

Os diplomatas mais jovens são os que mais sofrem com essa situação, pois dependem das avaliações de seus superiores para promoções e postos no exterior. Muitos acabam aceitando as condições precárias de trabalho, naturalizando abusos. A estrutura de carreira no Itamaraty permite que diplomatas permaneçam por longos períodos em cargos iniciais, enquanto em outros setores públicos as promoções ocorrem em prazos mais curtos.

Larissa Benevides, advogada do sindicato, ressaltou que a ausência de critérios transparentes para promoções contribui para injustiças, deixando muitos diplomatas desmotivados.

Histórico de problemas nas cúpulas

As queixas não são novidade. Após eventos anteriores, como a reunião do G20 e do Brics, o sindicato já havia constatado casos de burnout e um aumento considerável de atestados médicos. Uma ação judicial foi movida para tentar resolver a situação, mas os problemas persistem na COP30.

Para os diplomatas em formação, a situação é ainda mais complicada, pois eles estão sob um duplo controle de ponto, tanto no trabalho quanto nos estudos, acumulando horas extras sem a possibilidade de faltas.

Os superiores frequentemente desestimulam as queixas, afirmando que a carreira é um “sacerdócio” que exige dedicação total. O sindicato enfatiza que, além dos direitos trabalhistas, o que está em jogo é a saúde física e mental dos jovens diplomatas e a coerência do discurso de respeito aos direitos humanos que o Brasil defende no cenário internacional.

Considerações finais

Diante das condições adversas enfrentadas pelos diplomatas na COP30, fica evidente que a situação exige uma revisão urgente por parte do Itamaraty. O respeito aos direitos trabalhistas e o bem-estar dos servidores são fundamentais para a credibilidade da diplomacia brasileira. A resposta do governo e as ações do sindicato nos próximos dias serão cruciais para a solução deste impasse.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Governo Federal


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