Estudo revela disparidades raciais na expectativa de vida e atendimento médico para a população idosa negra

Estudo evidencia o impacto do racismo e da classe social na saúde dos idosos negros no Brasil.
Desigualdade de saúde entre idosos negros no Brasil
Idosos negros enfrentam uma realidade desafiadora no Brasil, onde fatores como raça, gênero e classe socioeconômica influenciam diretamente a saúde e a expectativa de vida. Dados do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) revelam que as mulheres brancas nascidas entre 2010 e 2019 têm uma expectativa de vida ao nascer de 80,06 anos, enquanto as negras alcançam apenas 76,01 anos. No caso dos homens, a diferença é ainda mais acentuada: brancos vivem, em média, 74,52 anos, enquanto negros têm uma expectativa média de 68,65 anos.
A invisibilidade da população idosa negra
Essas disparidades se tornam mais evidentes ao analisarmos a população idosa. Apesar de os negros representarem 56% da população brasileira, esse percentual cai para cerca de 48% entre os idosos, segundo o IBGE. Essa invisibilidade é considerada uma forma de violência, segundo a advogada e ativista Lenny Blue de Oliveira, que destaca que a mortalidade precoce entre os negros é um fator que contribui para essa realidade. O psiquiatra e psicogeriatra Julio César Menezes Vieira aponta que o envelhecimento da população negra não ocorre de forma igualitária, refletindo um cenário de desigualdade.
Racismo e seu impacto no atendimento médico
O acesso a serviços de saúde e a qualidade do atendimento também são afetados por fatores raciais. O casal de aposentados Elizete e Giovane Carvalho compartilharam uma experiência de racismo ao serem atendidos em um hospital. Durante uma emergência médica, foram submetidos a questionamentos sobre sua capacidade de pagamento devido à cor de sua pele, o que exemplifica o preconceito enfrentado no sistema de saúde. O médico Vilson Cardoso de Oliveira Júnior explica que os idosos negros têm taxas mais altas de doenças como hipertensão, diabetes e acidentes vasculares cerebrais, o que também impacta o atendimento médico.
A necessidade de políticas públicas inclusivas
A desigualdade na saúde dos idosos negros é um reflexo de um histórico de exclusão e discriminação. Profissionais de saúde muitas vezes têm dificuldade em diagnosticar adequadamente doenças em pacientes negros, o que se agrava pela falta de acesso a informações e educação em saúde. Julio César destaca que a população negra frequentemente enfrenta barreiras que dificultam o acesso a tratamentos adequados e ao conhecimento sobre sua saúde, resultando em diagnósticos tardios e em um pior controle de doenças crônicas.
Conclusão: um chamado à ação
A situação dos idosos negros no Brasil exige uma abordagem mais inclusiva e sensível por parte das autoridades e do sistema de saúde. É fundamental implementar políticas públicas que considerem as especificidades da população negra idosa, garantindo que todos tenham o direito de envelhecer com dignidade e acesso igualitário a cuidados de saúde. A luta contra o racismo e a desigualdade deve ser uma prioridade, não apenas para a saúde, mas para a sociedade como um todo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: O casal Elizete Carvalho, 67, advogada, e Giovane Carvalho, 62, representante comercial








