Desigualdade racial nas tarefas de cuidado no Brasil


Mulheres negras dedicam mais horas a atividades de cuidado em comparação às brancas

Desigualdade racial nas tarefas de cuidado no Brasil
Mulheres negras dedicam mais horas a cuidados. Foto: Agência

Estudo revela que mulheres negras no Brasil dedicam mais tempo a tarefas de cuidado em comparação às brancas.

As mulheres negras — pretas e pardas — dedicam em média 22,4 horas por semana a tarefas de cuidados domésticos, conforme um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social. Esse número é 1,7 horas superior ao tempo que as mulheres brancas gastam, que é de 20,7 horas. A situação se agrava em lares com menor renda, onde a sobrecarga de trabalho de cuidado é ainda mais acentuada.

A sobrecarga das mães negras

Quando analisamos as mães negras, a realidade se torna ainda mais desafiadora. Em domicílios com renda per capita de até um quarto do salário mínimo, as mulheres negras dedicam 13,3 horas a mais aos cuidados em comparação às mulheres brancas, que, por sua vez, dedicam apenas 12,3 horas a mais que os homens. Essa discrepância revela não apenas a carga de trabalho, mas também a pressão social que recai sobre essas mulheres, que frequentemente se encontram em uma posição de vulnerabilidade.

O trabalho invisível

As tarefas de cuidado englobam uma série de atividades essenciais para a manutenção da sociedade, como limpeza, alimentação, saúde e educação. Embora esse trabalho seja fundamental, ele é invisível para muitos e, frequentemente, não é remunerado. Essa realidade coloca as mulheres em uma posição desvantajosa no mercado de trabalho, onde elas têm menos tempo e flexibilidade para buscar uma ocupação remunerada. Em lares com crianças de zero a seis anos, a diferença na participação no mercado de trabalho entre homens e mulheres chega a 33 pontos percentuais, aumentando para 48 pontos percentuais nas famílias mais pobres, predominantemente compostas por pessoas negras.

Reflexos da escravidão

O Brasil mantém uma tendência global onde 76,2% do tempo gasto em trabalho de cuidado não remunerado é realizado por mulheres. Porém, a situação das mulheres negras no Brasil é ainda mais severa, refletindo as estruturas sociais construídas durante o período da escravidão. Muitas dessas mulheres sustentam os lares de famílias brancas, criando os filhos da elite, enquanto os homens brancos não alteram suas próprias responsabilidades em relação ao cuidado.

A economia da exaustão

Embora as mulheres negras tenham seus direitos trabalhistas garantidos pela PEC das Domésticas desde 2013, ainda enfrentam desafios como a informalidade e os baixos salários. A renda média das mulheres pretas e pardas é 53,3% inferior à dos homens brancos nas 54 mil empresas com mais de cem funcionários no país. A diferença salarial geral entre homens e mulheres é de 21%, evidenciando uma estrutura de desigualdade que se perpetua.

Um dia de reflexão

O Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro, deve ser um momento de reflexão sobre a exaustão que a cor da pele pode causar. É uma oportunidade para expor as realidades enfrentadas por mulheres negras e discutir como a sociedade pode avançar nesse contexto. Ao refletir sobre esses desafios, podemos compreender a importância do papel das mulheres negras na construção da sociedade e buscar formas de promover a equidade de gênero e raça.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Agência


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