Comunidade luta para preservar suas raízes e memória em meio ao avanço das plantações de cana

Em Sertãozinho, descendentes de escravizados lutam para preservar a memória de suas origens diante da expansão do agronegócio.
A luta dos descendentes de escravizados em Sertãozinho
Em meio aos canaviais de Sertãozinho, no interior de São Paulo, a comunidade de descendentes de escravizados enfrenta desafios significativos. O sítio São Benedito, onde vivem, é um marco da história e da resistência dessa população. Fundado em 1889, o local é uma herança dos bisnetos de Honório Sacramento, que adquiriu a propriedade após a abolição da escravatura.
A história do sítio São Benedito
O sítio foi comprado com a indenização recebida por Honório e outros ex-escravizados, que conseguiram, com muito esforço, adquirir terras na região dominada pelo grande fazendeiro Henrique Dumont, conhecido como o rei do café. Ao longo dos anos, a propriedade foi diminuindo, passando de 175 alqueires para apenas quatro. Antônio Carlos de Faria, um dos bisnetos de Honório, explica que a comunidade tem resistido às pressões das usinas de cana que cercam o sítio.
A importância da memória cultural
Para Antônio e sua família, a preservação da história é fundamental. O sítio São Benedito não serve apenas como lar, mas também como um espaço de memória. A capela dedicada a São Benedito, erguida em 1889, é um símbolo da luta e da identidade afro-brasileira na região. Em maio, uma procissão anual é realizada em homenagem ao santo, reforçando a conexão da comunidade com suas raízes.
Desafios contemporâneos
Com a crescente expansão do agronegócio, os descendentes de escravizados enfrentam o dilema de lutar pela preservação de suas terras e cultura ou ceder à pressão econômica. O historiador Rodrigo Touso destaca que o sítio é essencial para a manutenção da história afro-brasileira, com sua festa e as tradições que são passadas de geração para geração.
Conclusão
A luta dos descendentes de escravizados em Sertãozinho é uma história de resistência e identidade. Enquanto enfrentam os desafios da modernidade e do agronegócio, a comunidade continua a se unir para manter viva a memória de seus antepassados, garantindo que suas tradições e cultura não sejam esquecidas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Joel Silva / Folhapress








