Gardênia Gonçalves e Maria Luiza Fontenele marcaram a história política ao governar sob crises.

Gardênia e Maria Luiza foram as primeiras mulheres prefeitas de capitais brasileiras, enfrentando crises e desafios.
As prefeitas pioneiras nas capitais brasileiras, Gardênia Gonçalves e Maria Luiza Fontenele, enfrentaram um cenário político adverso ao serem eleitas em 1985, em meio a greves e crises. Gardênia começou seu mandato em São Luís com protestos que culminaram no ataque ao Palácio de La Ravardière, enquanto Maria Luiza lidava com uma greve de servidores em Fortaleza, onde as contas da prefeitura estavam no vermelho.
A eleição histórica de 1985
As eleições de 1985 foram as primeiras realizadas com voto direto após o fim da ditadura militar. Gardênia Gonçalves, do PDS, e Maria Luiza Fontenele, do PT, surpreenderam ao se elegerem prefeitas, desafiando a norma de um ambiente político dominado por homens. Maria Luiza, com 42 anos, já tinha uma trajetória política como professora e ativista, enquanto Gardênia, de 40 anos, era esposa de um político tradicional. Ambas entraram na política em um cenário marcado por preconceitos e desafios significativos.
Conflitos e dificuldades
Logo no início de seus mandatos, as duas enfrentaram crises. Gardênia viu sua sede da prefeitura ser incendiada, perdendo toda a base de contribuintes do IPTU. Em Fortaleza, Maria Luiza lidava com um atraso nos salários de funcionários e uma Câmara Municipal sem apoio. Ambas as prefeitas mostraram resiliência em um tempo em que a política era muito hostil para mulheres, o que é evidente na lembrança de Gardênia: “Eu era a única candidata mulher e contra cinco homens. Isso me estimulou a seguir em frente.”
A luta pela representatividade feminina
Apesar das dificuldades, Gardênia e Maria Luiza abriram caminho para futuras gerações de mulheres na política. No entanto, a luta por igualdade de gênero na política brasileira se mantém. Hoje, apenas 16 mulheres foram eleitas para as prefeituras de capitais desde 1985, destacando um cenário ainda desafiador para as mulheres. Luizianne Lins, que foi prefeita de Fortaleza, ressalta que as dificuldades persistem, afirmando que “o machismo ainda é muito danoso”.
Legado e reflexão
As trajetórias de Gardênia e Maria Luiza são um testemunho da luta das mulheres na política. Ambas se afastaram da vida política após suas gestões, mas continuam a inspirar novas gerações. Maria Luiza, que se dedicou a movimentos sociais, e Gardênia, que se orgulha de sua gestão, representam a força e a determinação das mulheres na luta por um espaço na política. As experiências delas evidenciam a necessidade de continuar a luta por representatividade e igualdade de gênero na política brasileira.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress








