Desafio das facções ao Estado e a complexidade da reação


Especialistas discutem a necessidade de integração entre entes federativos

Desafio das facções ao Estado e a complexidade da reação
Foto: Folhapress

O crescimento das facções criminosas no Brasil desafia a soberania estatal, exigindo uma integração difícil entre as esferas governamentais.

Em São Paulo, em 28 de outubro de 2025, especialistas destacam que o crescimento das facções criminosas no Brasil representa uma grave ameaça à soberania do Estado. A situação se agrava com a presença de armamentos sofisticados, como fuzis e drones, utilizados por esses grupos.

A realidade das facções criminosas

A operação recente contra o Comando Vermelho no Rio de Janeiro apreendeu armamentos de fabricação estrangeira, evidenciando a capacidade bélica das facções. Segundo Alessandro Visacro, autor de “Guerra Irregular”, a presença de atores armados não estatais em áreas dominadas resulta em uma degradação da legitimidade do Estado. O coronel reformado José Vicente da Silva Filho ressalta que 19% da população brasileira convive com facções, um aumento em relação ao ano anterior.

A necessidade de uma resposta integrada

A avaliação é de que a solução exige uma integração entre diferentes níveis de governo, o que se mostra complicado à medida que se aproxima um ano eleitoral. A falta de estratégias eficazes para combater o crime organizado tem sido um ponto crítico, conforme mencionado por Gustavo Bezerra de Oliveira, que defende a criação de redes integradas de informação. Para ele, a recente proposta de equiparar facções a organizações terroristas não resolve a questão, que é fundamentalmente econômica.

Reflexões sobre a legitimidade do Estado

Carlos Eduardo Ribeiro Lemos, juiz do Espírito Santo, argumenta que a situação se configura como terrorismo, dada a imposição de medo e controle por parte das facções. A recente legislação sancionada pelo presidente Lula, que prevê punições para ameaças a autoridades, é um passo positivo, mas não suficiente para enfrentar o problema de forma abrangente. Patrick Cacicedo, professor da USP, critica a conivência do Estado na expansão das facções, indicando que isso requer uma reflexão profunda sobre a participação de agentes estatais nesse processo.

Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br


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