Datena e o Estado-apresentador


Contratação do apresentador para a TV Brasil e Rádio Nacional reforça críticas sobre uso político da comunicação estatal

O governo Lula decidiu que comunicação pública precisa de audiência — custe o que custar. E nada melhor, ao que parece, do que contratar Datena, símbolo do espetáculo popular, para comandar programas na TV Brasil e na Rádio Nacional, duas estatais bancadas pelo contribuinte.

(Foto: Presidência da República)

Vende-se a ideia de “aproximação com o povo”. Na prática, o que se vê é uso político e popularesco da máquina pública, com a comunicação estatal transformada em palco. Informação cede lugar ao bordão, jornalismo à performance, institucionalidade ao barulho.

Datena nunca foi exatamente sinônimo de equilíbrio. É comunicador de emoção, indignação e narrativa fácil — ingredientes perfeitos para um governo que sempre tratou comunicação como instrumento político, não como serviço público.

A conta fecha no discurso, não na coerência. O mesmo governo que critica aparelhamento parece confortável em aparelhar a comunicação pública com celebridade cara e alinhada ao jogo político.

No fim, sobra o roteiro conhecido: menos Estado, mais espetáculo. E a roda gira — não da informação, mas do populismo bancado pelo erário.


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