Custo da tarifa zero em ônibus pode chegar a R$ 78 bilhões


Estudo aponta aumento significativo nos gastos para implementar a tarifa zero no transporte público em 2026

Custo da tarifa zero em ônibus pode chegar a R$ 78 bilhões
Custo da tarifa zero em ônibus pode chegar a R$ 78 bilhões. Foto: Folhapress

Estudo revela que tarifa zero nos ônibus custaria R$ 78 bilhões, representando um aumento de 20% sobre os gastos atuais.

Estudo sobre tarifa zero nos ônibus prevê custo elevado

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (26), encomendado pela Frente Parlamentar em Defesa da Tarifa Zero, indica que a implementação da tarifa zero nos ônibus em 706 cidades do país em 2026 custaria R$ 78 bilhões. Essa quantia representa um aumento de 20% sobre os gastos atuais, que são de R$ 65 bilhões. A pesquisa, realizada por um grupo de pesquisadores de várias instituições, foi coordenada pelo Instituto de Ciência Política da UnB e contou com o suporte da Fundação Rosa Luxemburgo e da Rede Nossas.

Reformulação do vale-transporte como solução

A principal proposta para financiar essa nova política de tarifa zero é a reformulação do vale-transporte, que completará 40 anos em dezembro. Os autores do estudo projetam que a nova Contribuição para a Disponibilização do Transporte Público (CTP) poderia gerar até R$ 80 bilhões. Essa contribuição seria cobrada das empresas, com base no número de funcionários que possuem, isentando aquelas com até nove empregados, representando 80% das empresas no país.

Impactos da tarifa zero no transporte público

O estudo também destaca que o Brasil possui atualmente 137 cidades com tarifa zero, o maior número no mundo. Segundo André Veloso, doutor em economia pela UFMG e um dos autores do estudo, essa iniciativa busca enfrentar o colapso do transporte público que ocorre há mais de trinta anos. Veloso afirma que o pico de passageiros no transporte público no Brasil foi registrado em 1995 e que a crise se agrava devido ao modelo de financiamento baseado na tarifa.

Comparação com modelos internacionais

A proposta é inspirada em modelos de subsídio, como o da França, onde a contribuição é ajustada conforme o porte da empresa. O estudo sugere que a cobrança da contribuição deve ser proporcional ao número de vínculos empregatícios, o que poderia redistribuir o valor atualmente gasto com vale-transporte, sem criar novos impostos ou aumentar a carga financeira das empresas.

Desafios e críticas ao modelo proposto

Entretanto, o economista-chefe da corretora Warren Investimentos, Felipe Salto, aponta que o modelo de cálculo da contribuição pode ser complicado e difícil de implementar. Ele ressalta que a proposta pode enfrentar entraves, como o repasse de custos para os salários e a fragmentação das empresas. Marcus Quintella, da FGV Transportes, destaca a falta de transparência nos custos do sistema de transporte, o que dificulta a confiança nas informações repassadas às prefeituras.

Benefícios socioeconômicos da tarifa zero

Apesar das críticas, a proposta de tarifa zero é vista como positiva, pois pode gerar benefícios socioeconômicos significativos, como maior movimentação nas cidades, facilitando o acesso ao comércio, saúde e educação. Os autores do estudo também ressaltam a necessidade de uma reforma urgente no modelo atual de transporte, que tem se mostrado ineficaz para atender a demanda da população.

Conclusão

A tarifa zero nos ônibus pode representar uma mudança significativa na forma como o transporte público é financiado no Brasil. Com um investimento estimado em R$ 78 bilhões, a proposta requer um debate amplo e a participação de todos os setores envolvidos para ser implementada de forma eficaz e sustentável.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


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