Análise sobre o impacto da criminalidade no crescimento do PIB

A redução da violência na América Latina pode aumentar o PIB em 0,5 ponto percentual ao ano. Entenda o impacto econômico da criminalidade.
A recente megaoperação policial que resultou em mais de 120 mortes no Rio de Janeiro, em outubro de 2025, reacende um debate crucial: qual é o custo real da violência e da criminalidade para o desenvolvimento econômico do país? Este episódio ilustra um problema que pode estar custando ao Brasil pontos preciosos de crescimento econômico e outros impactos negativos.
A evolução da violência no Brasil
Diversas métricas existem para medir a violência e a criminalidade, sendo o número de homicídios por 100 mil habitantes uma das mais acompanhadas. O Brasil chegou a um pico de 31 homicídios por 100 mil habitantes em 2017, mas desde então houve uma queda significativa, atingindo cerca de 20 em 2024. Apesar disso, ainda é um patamar muito elevado comparado à média global de 5 homicídios.
O impacto econômico da criminalidade
Um estudo do Fundo Monetário Internacional, publicado no final de 2023, revela que reduzir os homicídios na América Latina ao nível da média mundial poderia adicionar 0,5 ponto percentual ao PIB da região. Para países como o Brasil, fechar essa lacuna poderia resultar em um aumento de até 0,8 ponto percentual no crescimento econômico. A violência afasta investidores e desvia recursos para segurança patrimonial, reduzindo a produtividade.
Exemplos internacionais e lições aprendidas
O caso de El Salvador, onde a taxa de homicídios caiu drasticamente de 108 para 2 por 100 mil habitantes entre 2015 e 2024, ilustra que políticas de linha-dura podem ter custos elevados, como prisões arbitrárias e a erosão do Estado de Direito. Em contraponto, o Chile, que mantém uma taxa de homicídios relativamente baixa, sustenta um crescimento econômico sem comprometer a democracia, mostrando que o respeito aos direitos humanos pode ser compatível com a segurança.
Caminhos para o futuro
Para o Brasil, não existe uma solução única para reduzir a violência. É necessário investir em uma abordagem multifacetada, que inclua gestão estratégica, articulação entre diferentes esferas de governo, controle de armas e políticas baseadas em evidências. O desafio é imenso, mas o custo da inação pode ser ainda maior.
Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br








